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NEM TODO TIPO DE FÉ AGRADA A DEUS*

*Por A. W. Tozer

Sem fé é impossível agradar a Deus, mas nem toda a fé agrada a Deus.

Não me lembro de outro período em que a fé tenha sido tão popular como hoje. Depois da primeira guerra mundial, o homem de fé era considerado fraco, e ficava tremendamente para trás na tendência intelectual predominante no mundo de hoje. Mas, desde o fim da segunda guerra mundial, o pêndulo pendeu extremamente noutra direção. A fé tornou a receber o favor de quase toda gente. O cientista, o motorista de táxi, o filósofo, a atriz, o político, o concorrente a prêmios, a dona de casa – todos estão prontos para recomendar a fé como panacéia para todos os males – morais, espirituais e econômicos.

Se tão-somente crermos, faremos de algum modo o que for preciso, ainda que muito difícil. Assim corre a cantiga popular. O que você crê não tem importância. Creia apenas. Judeu, católico, romano, místico naturalista, ocultista, “swamista”, mórmon, sufista, poeta lunático sem convicções religiosas, sonhador político ou aspirante a uma casa de campo em Urano ou Marte – simplesmente creia e, tenha paz, será maravilhoso. Logo um mundo sem doenças e sem guerras emergirá das névoas, habitado por uma raça sem classes, sem credos e sem cor, os homens viverão irmanados nisso e naquilo.

Subjacente a isso está a nebulosa idéia de que a fé é uma energia onipotente a fluir pelo universo e à qual quem quiser pode ligar-se a seu bel-prazer. É concebida vagamente como uma pulsação criadora e sub-racional que jorra para baixo, proveniente de algum “ponto lá em cima”, todo o tempo pronta para entrar em nossos corações e mudar toda a nossa constituição moral e mental, bem como toda a nossa maneira de ver o homem, Deus e o cosmos. Quando ela entra, saem o pessimismo, o medo, a derrota e o fracasso; entram com ela o otimismo, a confiança, o autodomínio pessoal, e o infalível sucesso na guerra, no amor, nos esportes, nos negócios e na política.

É claro que tudo isso são fiapos etéreos de engano pessoal, tecidos com os insubstanciais fios da fantasia trançada pela mente de pessoas de coração mole que querem acreditar nisso. É uma forma de transcendentalismo pobre que, na forma em que o temos hoje, descende do transcendentalismo mais literário e mais respeitável da Nova Inglaterra de um século atrás.

O transcendentalismo é uma espécie de religião sem credo, resultante da vontade de crer e da falta de vontade de crer nas Escrituras Sagradas. Descobrir os princípios do transcendentalismo é extremamente difícil, se é que existe realmente algum princípio; mas Émerson nos deu uma sugestão quando disse: “Crer consiste em aceitar as afirmações da alma; não crer, em negá-las”. Creio que se pode tomar isto como um sumário da fé religiosa de Émerson, e certamente é uma precisa descrição da fé humanística das massas semicristãs de hoje.

O que é deixado de lado em quase tudo isso é que a fé só é boa quando está comprometida com a verdade; quando se apóia na falsidade, pode levar à tragédia eterna, e é o que muitas vezes faz. Pois não basta crermos; temos de crer na coisa certa, a respeito do Ser certo. Crer em Deus é mais do que crer que Ele existe. Acabe e Judas criam nisso. A uma fé certa é necessário conhecimento. Precisamos pelo menos saber algo daquilo a que Deus se assemelha, e qual é a sua vontade para as suas criaturas humanas. Saber menos que isso é ser lançado de volta à necessidade de aceitar as afirmações da alma e substituir por “Assim diz a minha alma” o bíblico “Assim diz o Senhor”.

A fé verdadeira exige que creiamos em tudo que Deus disse acerca de Si mesmo, mas também que creiamos em tudo que Ele disse acerca de nós. Enquanto não crermos que somos maus como Deus diz que somos, não poderemos crer que Ele fará por nós aquilo que Ele diz que fará. Aqui o certo está onde se rompe a religião popular. Esta nunca aceita a severidade de Deus ou a depravação do homem. Salienta a bondade de Deus e a infelicidade do homem. O pecado é uma fragilidade perdoável, e Deus não Se preocupa muito com ele. Ele simplesmente quer que confiemos na Sua bondade.
Crer deste modo é basear a fé na falsidade e edificar a nossa esperança eterna sobre a areia. Ninguém tem o direito de selecionar o que quiser dentre as verdades reveladas. Deus falou. Todos estamos debaixo da solene obrigação de ouvir as afirmações do Espírito Santo.

Manipular as Escrituras de molde a fazê-las escusar-nos, elogiar-nos e consolar-nos é menosprezar a Palavra escrita e rejeitar a Palavra Viva. Crer salvadoramente em Jesus Cristo é crer em tudo que Ele disse de Si mesmo e em tudo o que os profetas e apóstolos disseram sobre Ele. Conscientizemo-nos de que o Jesus que nós “aceitamos” não é um que criamos com o pó da nossa imaginação e formamos à nossa semelhança.

A verdadeira fé nos compele à obediência. “Viemos a receber graça e apostolado por amo do seu nome”, diz Paulo, “para a obediência por fé, entre todos os gentios” (Rm. 1:5). A fé sonhadora e sentimental que ignora os juízos de Deus contra nós e dá ouvidos às afirmações da alma é mortal como o cianido. A fé que aceita passivamente todos os textos agradáveis das Escrituras, ao passo que deixa de lado ou rejeita as severas advertências e mandamentos das mesmas Escrituras, não é a fé a respeito da qual Cristo e os seus apóstolos falaram. Fé na fé é fé perdida. Esperar pelo céu por meio dessa fé é vagar no escuro através de abismo profundo, numa ponte que não chega ao outro lado.

A.W.Tozer, “De Deus e o Homem”
Editora Mundo Cristão, 1ª Edição, 1981,
Título original em inglês “Of God and Men,
Christian Publications Inc., 1960

SOBRE O DÍZIMO E A IGREJA - Parte 2


Promessa é dúvida, já diria o profeta contemporâneo.

Eu disse que em uma semana eu voltaria a falar sobre a questão do dízimo aqui, não foi?

Pois é, lá se vão três semanas!

Mas, antes tarde do que mais tarde ainda, né? (acho que essa também é do tal profeta).

De volta ao nosso assunto, vimos (clique aqui) quais lições podem ser aprendidas com a prática judaica do dízimo à luz do Velho Testamento, e assim, sob essa luz, avaliarmos nossa própria prática eclesiástica, se, de fato, é mesmo igual àquela, como avocamos tão convictamente ser.

Há, entretanto, uma questão que precisa ser encarada por nós com bastante honestidade, qual seja: não estamos hoje pr’além dos tempos da lei? Não é precisamente este o tempo que chamamos “da Graça”?

Qual é, portanto, o padrão ensinado nas Escrituras para a Nova Aliança, a qual pertencemos?


Antes de mais nada, é preciso ver que relação as Escrituras fazem entre a Velha e a Nova Aliança.

Jesus disse que a lei e os profetas vigoraram até João e que, desde então, o Reino de Deus seria alcançado “por força” ou “com muito esforço” (Lc. 16:6). Mas Ele jamais disse isto para INVALIDAR a lei, posto que, em seguida, Ele completou:
“... porém, é mais fácil passar o céu e a terra do que passar um til da lei” (Lc. 16:17).

Lembremo-nos de que quando do batismo de Jesus, Deus, o Próprio, disse que ali estava Aquele que O agradava (Mt. 3:17; 17:5; Mc. 1:11; Lc. 3:22).

E querendo deixar ainda mais claro aos judeus qual era essa RELAÇÃO entre a Velha Aliança (expressa na lei e nos profetas) e a Nova Aliança (expressa em Jesus), no monte da transfiguração, diante de alguns discípulos, Deus disse que apesar da presença ali de Moisés (representando a lei) e de Elias (representando os profetas), era a Jesus que Ele queria que ouvissem (Mc. 9:7).

Pois bem, em diversas ocasiões, Jesus, fazendo referência à lei, dizia:
“Ouvistes o foi dito aos antigos...”, para, em seguida, acrescentar: “... eu, porém, vos digo...”, e então estabelecer um padrão ainda mais elevado ao que fora dito anteriormente.

Por quê?

Porque a Nova Aliança tem, sob todos os aspectos, um padrão mais elevado mesmo. Afinal, se é NOVA, é porque substitui uma VELHA. E ninguém usa algo velho se já tem algo novo para o lugar! É o que diz, inclusive, Hebreus 8:13 (Leia também Rm. 7:6; II Co. 3:14; 5:17; Ef. 4:22; Cl. 3:9).

Ora, se de um lado, a Velha Aliança estabelecia apenas uma décima parte de toda a renda como forma de o povo de Deus contribuir, não seria razoável dizermos que, por outro lado, a Nova Aliança deveria estabelecer mais?

Sim, e é assim mesmo!

Jesus disse que qualquer de nós que não renunciasse a tudo quanto tem não poderia ser seu discípulo (Lucas 14:33).

É inconcebível que, tendo renunciado a tudo, não tenhamos incluído nisto nossos recursos materiais e financeiros, não é mesmo?

Desse modo, pasmem vocês ou não, se na Velha Aliança o padrão era 10%, agora, na Nova Aliança, o padrão é 100%! Ou, pelo menos, deveria ser.

Tudo que reputamos por nosso, na verdade, foi confiado a Deus, para seus interesses em favor de seu povo e/ou de sua obra.

E é a esse ato de dispor tudo que a Bíblia chama de “generosidade”.

O oposto de generosidade segundo as Escrituras é a avareza, que, por definição, é o apego às coisas materiais (sejam elas quais forem). Acerca dos avarentos, se diz:

“... nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus”.
(I Coríntios 6:10)


Não se pode dizer que o exclusivo comprometimento de nossa vida financeira, só e por si só, redunde em exercício amplo e pleno de generosidade, vez que é pontual; mas, sem dúvida, é uma de suas mais fortes expressões e evidências, e esta não pode prescindir daquela, ao contrário.

Isto compreendido, sugiro que abdicássemos da utilização do termo “dízimo”, não por um capricho, mas, sobretudo, por dissociação. Seu uso, embora legítimo, nos leva ao vício, já caduco para a Igreja, da oferta judaica, dezporcentual. Além disso, qualquer contribuição acima do percentual testamentário, configurar-se-ia naturalmente em qualquer coisa, menos “dízimo”, que, já em sua etimologia, quer dizer 10%.

Ou seja, um dízimo de 20% é algo absolutamente descabido.

Sejamos honestos, pensar nisto dói, não é mesmo? Inda mais que, num contexto obscenamente capitalista como o nosso, e com gente idem, dissimuladamente travestida de crente, mas que nada faz senão sorver o sangue da fé alheia até as últimas gotas, isto soa ridículo e inconseqüente.

Sim, de fato o é.

Mas uma verdade não deixa de ser verdade porque alguns a usam indevidamente, para a satisfação de seus interesses escusos.

Precisamos ter coragem para encarar as duas coisas: a verdade inquestionável, e a cretinice alheia.

Há, porém, outra “boa” razão para encontrarmos algo que desculpe nossa indiferença na devida observância dessas verdades (e esta exigirá de nós ainda maior sinceramente): a de que amamos nosso dinheiro, e não gostamos da idéia de nos dispor dele.

Jesus falou sobre isto também.

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas”.
(MATEUS 6:24)


Noutras traduções, em lugar de “riquezas”, o termo é Mamon, uma palavra aramaica cujo significado remete ao de uma divindade espiritual, numa clara alusão ao poder e influência que, não apenas o dinheiro, mas as coisas materiais são capazes de exercer sobre todos nós.

O caso do jovem rico (Mc. 10:17-23), por exemplo, é uma clara ilustração disto. Ele tinha muitos bens, e também tinha vontade – ninguém pode negar – de seguir a Deus. Contudo, ele pensou poder fazê-lo sem ter de mexer em suas riquezas. Jesus, por outro lado, conhecendo-lhe o coração e AMANDO-O disse-lhe que vendesse tudo o que tinha e desse aos pobres, pondo-lhe em prova no primeiro e no segundo mandamento que o jovem disse seguir desde a mais tenra idade. Ao ouvir isto, ele se foi.

Outra ilustração disto, mas às avessas, é o da viúva pobre (Mc. 12:41-44). Apesar de só depositar no gazofilácio uma moedinha, Jesus afirma que ela deu mais do que todos os outros, pois estes deram daquilo que lhes sobrava, aquela, porém, de tudo o que tinha.

“Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração”.
(Mateus 6:21)


Eu sei que muitos argumentarão dos riscos que corremos de dispor nossos recursos todos a gente profana, mas lembremo-nos de que fora exatamente por causa de um contexto como o nosso que Deus repreendeu severamente o povo de Israel, que se negava a levar os dízimos, sob a alegação de que os sacerdotes vinham sendo infiéis.

A desculpa, aparentemente compreensível e lógica, pode ser um engodo para negarmos nossa confiança total em Deus. Se deixarmos, Mamon nos domina e nos aprisiona, o que é óbvio ser ainda mais perigoso num mundo capitalista como o nosso.

Perceba que eu tenho aqui o cuidado de utilizar o verbo “dispor” ao invés de simplesmente “dar”. Isto porque, como já disse acima, “dar” não é exatamente uma evidência de que há generosidade, sendo esta muito mais um estilo de vida, expressado por inúmeras atitudes tomadas em amor e cumplicidade.

A hospitalidade, por exemplo, é uma forma, linda, de generosidade.

Deus não nos quer dando dinheiro. Deus nos quer generosos.

Também não digo aqui que o devemos fazer indiscriminadamente. Infelizmente, o assunto é maior do que este espaço permite, mas acredito que todo o cristão sincero encontrará em Deus boa ocasião de obedecer à sua fé (se for esta), e tornar-se canal abençoador, longe dos lobos vorazes do evangelho e sem ser lesado por quem quer que seja.

Por todo o exposto acima, podemos resumir uma verdadeira atitude de generosidade quando ela vem acompanhada das seguintes características:

1. AMOR (Mc. 12:41-44)
2. FÉ (Lc. 6:38; II Co. 9:6)
3. SACRIFÍCIO (II Co. 8:1-6, 9)
4. ALEGRIA (At. 20:34;II Co. 8:1-9)
5. GRATIDÃO (Hb. 7:6, 7)
6. DESPRENDIMENTO TOTAL (Mc. 6:1-14)
7. SUBMISSÃO (I Co. 16:1, 2; II Co. 8-9)

Generosidade não é o ato de dar dinheiro, mas, sim, o produto da soma de todas as virtudes acima.

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"Ninguém tem certeza da suficiência do seu arrependimento e pesar verdadeiros;
muito menos certeza pode ter de haver alcançado pleno perdão dos seus pecados"
(Martinho Lutero)

JESUS CRISTO, JUDAS, LULA E EU


Tive conhecimento hoje, através do Mídia Sem Máscara, no artigo “Jesus Cristo, Judas e Lula” assinado por Júlio Severo, da entrevista concedida pelo presidente Lula à Folha de São Paulo, e publicada na Folha Online em 22/10/2009.

O ponto principal abordado por Júlio foi a declaração do presidente de que:
“Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão”.

A resposta foi dada quando o presidente foi questionado sobre suas relações com figuras políticas de imagens reconhecidamente arranhadas para a população brasileira, como Renan Calheiros (PMDB-AL), José Sarney (PMDB-AP) e o ex-presidente Fernando Collor de Melo (PTB-AL).

A comparação foi, no mínimo, infeliz realmente.

Pois de onde quer que se parta dela, a conclusão será sempre a mais ignóbil possível.


A oposição, por exemplo, aproveitou a polêmica frase para atribuir a ela um caráter justificatório, haja vista todos os escândalos já ocorridos até aqui sobre a gestão do petista.

Já Júlio Severo sugere que a visão destorcida que Lula tem de Jesus (e Judas) se deve à imagem (e à mensagem) transmitida a ele pelas suspeitas lideranças cristãs que o cercam, no que, obviamente, ele tem absoluta razão.

Meu ponto de vista converge e diverge um pouco das duas opiniões acima, e, mesmo assumidamente me considerando o menos indicado entre todos para falar com propriedade sobre esses temas políticos aqui ou em qualquer lugar, acho que tenho relativa razão.

Não creio que Lula quisesse, voluntariamente, justificar os atos escusos que se embrenharam sob seu nariz, e dos quais ele reiteradas vezes afirmou “não saber”, ainda que, de certa maneira, ele o tenha feito.

Também não acho que o presidente, religioso como ele imagina ser, tenha pretendido que se fizesse uma nova leitura acerca da personalidade comportamental de Jesus, dando a ela uma interpretação mais politizada de seus ensinos, contextualizados para uma nova ordem mundial — e, ingênuo que é, nisto tivesse errado.

Não.

Em minha modestíssima opinião, o que o presidente chamou de “Jesus” e de “Judas” simplesmente têm outros nomes, e nada mais são que estereótipos.

Jesus e Judas, na fala de Lula, são antípodas. Um representa o bem; outro o mal.

Não é que ele se esquece de que Jesus e Judas, aqueles mesmos, os reais, tenham andado juntos por três anos (o que não apenas implica em acordo ou coalizão, como gostam de dizer os políticos, mas em cumplicidade, compromisso e, sobretudo, amor, numa linguagem um pouco mais cristã).

A questão é que Lula simplesmente ignora isto. Ele não sabe.

A visão do presidente, aliás, é a mesma da maioria.

Jesus e Judas são figuras absolutamente antagônicas.

Desse modo, não é exagero algum supor que, ao dizer isto, o que Lula simplesmente fez foi uma confissão: a de que aqui, no Brasil, a união do santo com o profano não é impossível como a natureza (espiritual ou física) dos fatos insistem em mostrar.

Nem meramente opcional.

É obrigatória.

“Esse é o Brasil”, diz Lula.

O que podemos esperar então daqui pra frente?

Mais do que Jesus ou Judas, o presidente está falando é de mim... De você... De nós. Como se nos desafiasse a mudar (ou tentar mudar) a ordem natural (e diabólica, por este prisma) das coisas. Como se dissesse: “Aqui, é assim que as coisas são. O certo tem que andar de acordo com o errado”.

É, pode ser.

Mas, preciso dizer-lhe, sr. Presidente, que ainda que eu esteja sozinho (embora saiba que não estou), eu vou seguir resistindo.

Porque, no Reino de Deus, sr. Presidente, é assim que as coisas são.

SOBRE O DÍZIMO E A IGREJA - Parte 1


A palavra “igreja” hoje é sinônimo de “dízimo” para os incautos (e para alguns bem sabidinhos também).

E esse é um dos assuntos mais polêmicos e certamente mais inquietantes no universo das doutrinas cristãs, que achincalha a vida e a moral de muitos homens e mulheres sérios de Deus.

Eu ouso até dizer que, se os cristãos comprometidos pudessem preterir de algo na doutrina cristã, o dízimo seria o mais votado.

Menos até pelo apego pessoal ao dinheiro (cristãos comprometidos não se importam de pôr a mão no bolso para cooperarem com o Reino de Deus). Mais mesmo é pela vergonha de contribuírem puramente e em alegre obediência à sua fé, e serem tachados de financiadores da locupletação desvairada de alguns “ministros do Evangelho”: verdadeiros abutres em nome de Deus.

E, convenhamos... A história recente da Igreja dá motivos de sobra para terem razão nisto.

Por outro lado, a importância do tema é tanta para a Igreja que torna imprescindível sua prática, embora tal prática não seja bem compreendida ainda da maioria de nós.

É um erro pensar, por exemplo, que o dizimar seja um mero princípio cristão elementar, e assaz elementar, que transforma sua não observância num daqueles vexames históricos para o crente, sem qualquer precedente bíblico.

Se o dízimo é dado com o intuito de “livrar a própria cara” ou para “fazer uma média” diante de Deus e dos homens, de pouco ou nada ele servirá ao ofertante, mesmo que este tenha se despendido de uma vultosa quantia.

Pior ainda é pensar que o dar o dízimo seja uma espécie de pagamento que se faz a Deus, ou ainda, que seja o equivalente divino das nossas aplicações financeiras, quando o dinheiro depositado vai rendendo, rendendo, e depois volta pra gente no final, com juros e correções monetárias.

Jesus pouco falou especificamente sobre o dízimo (ou, pelo menos, pouco se tem registrado nos Evangelhos de tudo o que Ele falou), assim, toda a base — e nada mais que isto — para a aplicação prática do dízimo deve ser retirada daquele tempo bíblico que chamamos de Velha Aliança.

E de cara já desmistificamos uma coisa.


Engana-se quem pensa que o dízimo é uma ordenança divina, e que requer de nós tão somente uma obediência tácita.

A Bíblia mostra que a prática dizimista precede à lei.

A primeira referência ao dízimo, na forma como o conhecemos, remonta a, pelo menos, 600 anos antes da lei, e aconteceu com Abraão, quando este ainda era Abrão.


“E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos!
E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo”.
(Gênesis 14:20)

Antes de tudo, o dízimo parecia ser um princípio aplicado por homens em cuja vida habitava tanto o temor a Deus, quanto um profundo desejo de gratidão e de “retribuição” a Ele. No episódio em questão, Melquisedeque abençoou a Abrão e, numa atitude de gratidão, recebeu deste o dízimo de tudo.

Depreende-se daí que quem dá o dízimo não o faz para ser abençoado, mas sim porque já se reconhece abençoado. Abrão não deu o dízimo para ser abençoado por Melquisedeque (numa instância menor) ou por Deus (numa instância maior). Ele o deu porque já tinha sido abençoado por eles.

Pro inferno, portanto, com essa tal de Teologia da Prosperidade!

Mais tarde só (600 anos depois, como vimos) é que a prática foi, por assim dizer, “oficializada” na forma de lei.

“Também todos os dízimos da terra, quer dos cereais, quer do fruto das árvores, pertencem ao Senhor; santos são ao Senhor. (...) São esses os mandamentos que o Senhor ordenou a Moisés, para os filhos de Israel, no monte Sinai”.
(Levítico 27:30-34)

A palavra “santo” vem do latim sanctus, e significa “separado”. É o mesmo radical, por exemplo, de secta, palavra também em latim (oriunda de sequi, que significa “seguir”), e de onde vêm as palavras “seita” e “sectarismo”, ou “separação”.

(ser membro de uma “seita”, em princípio, não parece ser algo necessariamente tão ruim assim, como sempre fazemos sugerir, né, gente?)

Bom, como se vê, os dízimos eram separados ao Senhor, e fora requerido do Seu povo, a quem Ele mesmo escolheu, a saber, a nação de Israel.

Dízimo (do latim decimu) = A décima parte.


O que se fazia com os dízimos?

Não havia dinheiro nos tempos da Velha Aliança, muito menos um sistema capitalista como o de hoje. Não havia sequer moeda corrente e os negócios todos eram feitos sob PERMUTA ou MUCAMBO, que nada mais é do que uma troca de benefícios. Assim, o que tinha valor naquela época eram objetos, alimentos, terras, etc. O dízimo deles era dado na forma de parte de uma colheita, por exemplo, ou uma parte do gado, de especiarias, e o ouro, a prata e o bronze que havia era destinado à confecção de objetos e utensílios que seriam trocados mais tarde.

Por uma convenção divina, Deus conferiu ao levitas o direito de usufruto dos dízimos ofertados pelo povo de Israel (Nm.18:24). Entretanto, o princípio se manteria ainda assim, e os levitas, igualmente, deveriam retirar de tudo o que recebessem aquilo que era chamado de “dízimo dos dízimos” (Nm.18:26).

Perguntinha: Terá sido apenas coincidência o fato de que os levitas eram os únicos, entre todos de Israel, que não receberam porção alguma como herança na divisão das terras de Canaã (Js.13:14-33)?

Creio que não.

Doutra sorte, porém, Deus disse que seria, Ele próprio, a porção deles (Dt.10:9; Nm.18:20). Dessa maneira, Ele os fez, ao mesmo tempo, os mais pobres e os mais ricos entre os homens.

Há mais uma aplicação importante dada aos dízimos e às ofertas levantados pelo povo, segundo os moldes do Antigo Testamento: o suprimento aos de fora, aos órfãos e às viúvas, que deveria ser feito a cada período de três anos (Dt.14:28, 29).

Essas considerações são absolutamente necessárias, e só depois delas é que podemos então nos lembrar daquela que é, sem dúvida, a referência mais conhecida da maioria dos crentes espalhados Brasil afora, sobre o dízimo: a de Malaquias (mas, ao invés disto, é dela que nos lembramos primeiro).

Naquela ocasião, os sacerdotes não estavam sendo fiéis a Deus (em vários aspectos, inclusive) e o povo, sabendo disto, começou a parar de dar o dízimo (como muitos de nós fazemos também, né não?).

O que Deus fez?

Corrigiu severamente os sacerdotes por sua negligência... Mas também corrigiu severamente o povo por sua displicência (Ml. 2-3), chamando-o, inclusive, de “ladrão”.

Em resumo, o que aprendemos com a prática da Antiga Aliança é que:

1º) A primeira motivação para o dízimo é a gratidão e o reconhecimento, depois vindo a obediência ao princípio estabelecido. E em nenhum momento deve haver desejo de recompensa, ou investimento, como dizem alguns;

2º) A ordem dos fatos indica que quem se reconhece abençoado por Deus é que dá, e não o contrário (dá par ser abençoado). Assim, não dar pode também significar que a pessoa não se sente abençoada por Deus;

3º) O dízimo era requerido do povo de Israel, ou seja, daqueles com quem Deus mantinha um relacionamento, o que sugere que dizimar implica em comunhão e compromissos mútuos;

4º) Um sacerdote ou ministro (aquele que se beneficia do dízimo) não tem valores nesta vida. O Senhor é sua porção. Ele vive do que Deus lhe dá, e, sobretudo, da fé;

5º) Ninguém está isento de dar. Até os que recebem do dízimo, devem dar a parte correspondente dele;

6º) O dízimo deve prestar, entre outras coisas, ao sustento de necessitados no meio da congregação, de modo que estes não existam;

7º) Não há desculpa para não dar. A infidelidade, afinal, será julgada de todos. Tanto daqueles que não dão quanto daqueles que administram.

Tudo isto, junto, é o modelo do ensino testamentário acerca do dízimo, e nele é bem possível que identifiquemos algumas incongruências com nossa prática capitalista hoje.

Entretanto, vocês lembram de eu ter dito que Jesus pouco falou especificamente sobre o dízimo?

Pois bem. Creio haver motivos para isto, e que eles são, de fato, o que realmente importa nisso tudo.

Mas sobre eles falarei na próxima semana, na segunda e última parte desse assunto.

Até lá, se se interessarem.

A FUNÇÃO DA LEI*

* Por Pastor Edmilson


Muitos cristãos sabem que estamos debaixo da graça e que a dispensação da lei acabou. Mas, surge a pergunta: não há qualquer lei que o cristão tenha que guardar? E, se tem, com que propósito?

A lei foi dada por Deus aos filhos de Israel aos pés do monte Sinai. Sua finalidade era servir de termômetro a fim de mostrar que o homem estava enfermo pelo pecado. Desde a queda de Adão, o homem é pecador por constituição, ou seja, o pecado faz parte de seu ser. Quando falamos “o pecado”, estamos nos referindo àquela força que habita dentro do homem que o atrai a prática de atos pecaminosos. Sabemos que não é necessário o homem fazer força para pecar, pois, já existe dentro dele uma força que o atrai ao pecado. É bom que você leia todo o capítulo 7 de Romanos com atenção. Neste texto Paulo chama esta força de “lei do pecado e da morte”. É chamada de lei porque se trata de uma verdadeira regra dentro do ser humano; ninguém precisa ensinar o homem a pecar, pois ele já nasce sabendo. Paulo fala sobre o momento em que Deus deu sua lei ao povo de Israel, e o que isso provocou. Antes de a lei vir, o homem já tinha o pecado dentro de si, mas ele não sabia disso. A lei veio para expor ao homem o que estava dentro dele. O pecado jazia adormecido dentro do homem até o momento em que o homem recebeu a lei e tentou guardá-la. A cobiça já estava dentro do homem, porém quando Deus deu sua lei e mandou que o homem não cobiçasse — e este tentou não cobiçar — não somente ele não conseguiu não cobiçar, como também passou a ter consciência desta cobiça que estava dentro dele. Quanto mais o homem tentava não cobiçar, mais ele cobiçava. Era justamente este o propósito da lei, fazer com que o homem tentasse cumpri-la e, ao não conseguir, descobrir que há uma força dentro dele que o impossibilita viver uma vida conforme as exigências da lei. Através da lei, o homem deveria chegar ao estado que Paulo chegou e clamar: “miserável homem que sou! quem me livrará do corpo desta morte?”

É claro que não foi a lei que produziu o pecado dentro do homem. Ela simplesmente mostrou que o pecado estava lá. É como John Bunyan mostrou em sua alegoria “O Peregrino”, quando Cristão chega numa casa toda empoeirada e o interprete lhe diz que aquela casa era o coração do homem e a poeira era o pecado. De repente entrou na casa uma mulher com uma vassoura para varrê-la; a nuvem de poeira que se levantou foi tão grande que quase sufocou Cristão. Intérprete explicou a Cristão que aquela mulher com a vassoura na mão era a lei. A mulher com a vassoura não produziu a poeira, ela somente tornou evidente que a poeira estava lá.

E qual o benefício que isso traria ao homem? O conhecimento de que há uma força dentro de nós que nos impossibilita vivermos da forma como Deus quer nos levará a buscar o socorro de Deus e ver que somente a graça de Deus em nós é que nos possibilita vivermos a altura de suas exigências. Para que o homem procure a cura é necessário que primeiramente ele saiba que está doente.

A lei mostrou que o homem está doente e o preparou para receber o remédio de Deus que é sua graça através da obra do Senhor Jesus na cruz. Tivesse o Senhor Jesus realizado sua obra de salvação antes de Deus dar sua lei, o homem iria julgar-se capaz de salvar-se a si mesmo. A lei mostrou que a salvação teria que vir de Deus, pois o pecado impossibilitava o acesso do homem a Deus. A lei foi o termômetro que mostrou que o homem estava com a febre do pecado, para que ele pudesse buscar a cura.

"Porém agora estamos livres da lei porque já morremos para aquilo que nos mantinha prisioneiros. Por isso somos livres para servir a Deus não da maneira antiga, obedecendo à lei escrita, mas da maneira nova, obedecendo ao Espírito de Deus. O que vamos dizer então? Que a própria lei é pecado? É claro que não! Mas foi a lei que me fez saber o que é pecado. Pois eu não saberia o que é a cobiça se a lei não tivesse dito: "Não cobice”. Porém o pecado se aproveitou dessa lei para despertar em mim todo tipo de cobiça. Porque, se não existe a lei, o pecado é uma coisa morta."
(Romanos 7.6-8)


Fonte: Genizah

SEBASTIAN'S VOODOO: UMA LEMBRANÇA DE CRISTO



"Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco
pelo fato de ter Cristo morrido por nós,
sendo nós ainda pecadores."
(Rom 5:8)


p.s.: Mais sobre o vodou aqui.

VOCÊ É AMADO*

*Por Paul Washer



Nota do EdV: Vi (e chorei!) no Voltemos ao Evangelho.

O CÉU É O LIMITE

Você se lembra da imagem acima?

Provavelmente não, né?

E dessa aí abaixo?



Bem, se você tem mais de 30 anos, e é ligado a esportes em geral, provavelmente tenha se lembrado.

Você sabe qual é a diferença entre uma foto e outra?

Quase 24 minutos.

Isto mesmo!

As duas fotos são dois momentos de uma mesma história.

Era a primeira vez que a maratona feminina fazia parte dos Jogos Olímpicos.

O ano: 1984.

Na primeira foto, você vê Joan Benoit Samuelson, norte-americana, então com 27 anos, e a grande campeã olímpica daquela histórica maratona, com o tempo de 2h24min52s.

Na segunda foto, você vê a suíça Gabrielle Andersen-Scheiss — na época com 39 anos! — prestes a cruzar a linha de chegada... em último lugar.

E as diferenças não param apenas por aí.


Joan Benoit tem um grande currículo também. Além do título acima, Benoit foi bicampeã da maratona de Boston em 1979 e em 1983 (essa última com recorde mundial), campeã da maratona de Eugene, na Califórnia, em 1982, medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos de Caracas, em 1983, campeã da maratona de Chicago, em 1985 e, já aos 35 anos, venceu ainda a maratona de Columbus, em 1992.

Já a suíça Gabrielle Andersen não venceu nenhuma competição importante internacionalmente, não conquistou nenhuma medalha olímpica, e tampouco está na lista dos nomes vencedores do esporte suíço.

Entretanto, quando nos lembramos daquela maratona de 84, é de Gabrielle que nos lembramos (ainda que a maioria de nós sequer soubesse o nome dela até aqui).

Por quê?

37 competidoras participaram daquela maratona — que teve ainda a norueguesa Grete Waitz em 2º lugar, e a portuguesa Rosa Mota em 3º — mas por que, entre todas as demais, a imagem que ficou gravada na memória do mundo foi a da mulher esquálida e debilitada que quase se arrastava, tentando cruzar sobre-humanamente a linha de chegada?

Ora, a resposta está na pergunta.

“Desidratada e sofrendo de hipertermia, a atleta recusava-se a receber ajuda médica, pois seria desclassificada. Perto do final, ela não aceitou água no ponto de distribuição e entrou no Coliseum Stadium notavelmente debilitada. Restavam 400 metros para o fim do sacrifício.

Incentivada pelos aplausos dos torcedores e recomendada pela equipe médica a desistir, Gabrielle percorreu os 400 metros finais mais acompanhados da história do atletismo. A suíça tinha dificuldades em manter-se de pé. Gabrielle tinha o rosto transfigurado pelo excessivo esforço e o andar arrastado devido às fortes câimbras. Ignorando a todo momento os médicos que a acompanhavam de perto e pediam para que ela desistisse, a atleta completou a prova na 37ª e última posição, com o tempo de 2h:48min:42s. Apenas nos últimos 400 metros, a suíça levou cerca de sete minutos. Os últimos 100 metros levaram 5min e 44s para serem cruzados!

Após a recuperação, Gabrielle justificou seu esforço pelo fato de já estar com 39 anos, o que não daria a ela outra oportunidade de disputar uma Olimpíada e que queria honrar seu diploma de participação completando a prova.”



Rememoro aqui este exemplo de perseverança e coragem a fim de nos inspirar no Reino de Deus, e nos fazer refletir.

"Você quer dizer que é melhor perder do que ganhar?"

Não. Eu quero dizer que o melhor é chegar.

Marcos Moraes, discípulo amado e pastor em Salvador, disse certa vez que a caminhada cristã não se parece com uma corrida de 100 metros rasos, cujo objetivo é largar bem e chegar o mais rápido que se possa. Mas, sim, que a vida cristã se assemelha muito mais a uma maratona, longa e desgastante, onde a preocupação maior não é a largada em si e a velocidade inicial, mas, sobretudo, a chegada.

É preciso regularidade e perseverança.

Um bom corredor sabe que numa maratona você precisa saber se guardar para o fim, poupando oxigênio e esforço para os instantes finais, quando a corrida se decide.

Mas mesmo aqueles que não a completam na frente acabam tendo motivos também de comemorar. Afinal, numa corrida de resistência, chegar, por si só, já é uma conquista.

Eu sempre admiro o ritmo frenético e empolgante de alguns “corredores” do Reino de Deus. Eles partem com tudo, e a todo o vapor vão ultrapassando uns e outros, vencendo obstáculos e barreiras de uma maneira tão rápida que chega a parecer fácil.

Outros, como eu, entretanto, são bem mais lentos. Diante de obstáculos, chegam a parar e, não raro, ao invés de saltarem-no, dão a volta. Mas seguem trotando, cadenciando seus movimentos de uma maneira quase monótona e enfadonha.

É óbvio que os velocistas nos fazem um bem muito maior que os maratonistas. É muito melhor assistir, por exemplo, a uma corrida dos 100 metros rasos (que hoje está sendo feita abaixo dos 10 segundos!) do que uma maratona... chata... cansativa... sem graça... e que dura loooongas 2 horas ou mais.

Carl Lewis é mais conhecido do mundo que Abebe Bikila, e Usain Bolt mal pode sair às ruas, enquanto Haile Gebrselassie deve viver sua vida tranquilamente.

No Reino de Deus o importante mesmo é chegar.

Pouco importa para mim se serei o primeiro ou o último. Em sendo o último, é claro que minhas pernas tremerão de medo por não ter sido ainda chamado e só restar um. Mas ouvindo meu nome... “Ah, Senhor!” Que alegria eu terei! Igual à daquele que adentrou primeiro os portais eternos.

É claro que tudo isto aí acima é especulação besta.

Mas o que quero realmente dizer é que precisamos perseverar. Precisamos insistir, teimar...

Ainda que seja para cruzar nossa “linha de chegada” como cruzou a do Coliseum Stadium a suíça Gabrielle Andersen-Scheiss: tortos, exauridos, doloridos, esgotados.

Acreditem: pouco ou nada disto importará depois.

Grande Gabrielle! Obrigado!

Sim, grande, porque não era a medalha que ela queria àquela altura. Seu prêmio maior era chegar, era honrar, como ela disse, “seu diploma de participação, completando a prova”. Mas se alguns ainda insistem que vencer é importante, Gabrielle venceu a si própria, a mais difícil das provas.

Segundo ela, o motivo de ter perseverado tanto foi que, aos 39 anos, não teria outra oportunidade de disputar uma olimpíada.

E olhe que ela o fez por um prêmio terreno e temporal. O que não faria pelo eterno?

Aliás, o que não faríamos pelo eterno — eu pergunto — nós que, como ela, sabemos que não teremos outra oportunidade?

Queridos amigos, o que eu mais quero é chegar!

Não estou preocupado se vou ter e qual será o tamanho do meu galardão.

Eu quero é cruzar, ainda que capengando, os portões do céu, porque sei que lá verei o Meu Senhor, sem dúvida alguma, o maior dos tesouros e das recompensas.

E para isto, não me faltam exemplos e testemunhos como os de Gabrielle.

“Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta...”
(Hebreus 12:1)

Amém.

A NATUREZA DE DEUS


“Era uma vez uma idosa que costumava meditar às margens do Ganges. Certa manhã, ao encerrar sua meditação, ela avistou um escorpião flutuando indefeso na forte correnteza. À medida que era arrastado para mais perto, prendeu-se nas raízes que se ramificavam para dentro do rio. O escorpião lutava freneticamente para se libertar, mas cada vez ficava mais emaranhado. Imediatamente a senhora aproximou-se do escorpião que se afogava e este, assim que ela o tocou, cravou-lhe seu ferrão.

A mulher afastou a mão, mas, após ter recobrado o equilíbrio, tentou de novo salvar a criatura. Todas as vezes que ela tentava, porém, o ferrão na cauda do animal a atingia com tamanha gravidade que suas mãos sangravam e seu rosto distorcia-se de dor.

Um transeunte, que via a idosa lutando com o escorpião, gritou para ela:

— Qual o seu problema, sua tola? Quer se matar tentando salvar essa coisa feia?

Olhando nos olhos do estranho, ela retrucou:

— Só porque é da natureza do escorpião ferroar, por que eu deveria negar minha própria natureza de salvá-lo?”

(JOAN CHITTISTER, freira beneditina, descrevendo o altruísmo humano)

Fonte: Adrenaline


Nota do EdV:

Tomo a liberdade de fazer minhas as palavras da freira, porém atribuí-las, sobretudo, à pessoa de Deus aqui.

Ainda que seja da natureza humana o rebelar-se de Deus, muitos, inclusive, negando-O, Ele segue a Sua, e insiste em salvar-nos.

“Graças, Senhor!”

A REJANE...


... metade mais linda de mim...



... minhas palavras, na voz e na belíssima interpretação de Ivan Lins.


DOCE PRESENÇA
Ivan Lins / Vitor Martins

Sei que mudamos desde o dia que nos vimos
Li nos teus olhos que escondiam meu destino
Luz tão intensa
A mais doce presença
No universo desse meu olhar

Nós descobrimos nossos sonhos esquecidos
E aí ficamos cada vez mais parecidos
Mais convencidos
Quanto tempo perdido
No universo desse meu olhar

Como te perder
Ou tentar te esquecer?
Inda mais que agora sei que somos iguais
E se duvidares, tens as minhas digitais
Como esse amor pode ter fim?

Já tens meu corpo, minha alma, meus desejos
Se olhar pra ti, estou olhando pra mim mesmo
Fim da procura
Tenho fé na loucura
De acreditar que sempre estás em mim

p.s.: Sabe aquelas poesias que você é que gostaria de ter escrito?

A GRANDE HISTÓRIA DO AMOR

12 de junho.

Dia dos namorados.

Inspirado pelo tema, resolvi postar aqui, em primeiríssima mão, meu primeiro - e único! - livro.

Chama-se “A Grande História do Amor”.

Uma homenagem à minha eterna namorada, Rejane.

Para lê-lo, clique abaixo.



Há exatamente um ano atrás...


A GRANDE HISTÓRIA DO AMOR

Era uma vez, o amor...

Um homem e uma mulher que se amavam.

E os dois viveram felizes para sempre.


p.s.:
Disseram-me que meu livro já nasce morto... Uma pena, não? Lamento muito... Por eles, claro!

OS FALSOS PROFETAS



Alguns personagens bíblicos são altamente influentes.

Infelizmente nem todos de boa índole.

Mas pior seria se passassem despercebidos.

Pois, pelo menos, um deles passa, às vezes, e tem livre acesso entre nós hoje. Livre ou porque o ignoramos, fazendo de conta de que simplesmente não está aqui, ou porque somos nós os ignorantes quanto a ele, desconhecendo-lhe completamente a existência.

Da parte do blog, porém, e daqui pra frente, quem quiser se desculpar só encontrará uma alternativa: a de fazer vistas grossas, e fingir que não é com ele. Porque ninguém, pelo menos daqueles que passam por aqui, vai poder dizer que “isto não existe”.

O que faz de alguém um profeta? Seu tom de voz? Sua capacidade de eloqüência? O dom de predizer o futuro? A imposição de mãos de alguém?


Nada disto.

Claro que isto tudo pode haver (e em muitos casos há), mas o que faz de alguém um profeta é nada mais, nada menos que...

DEUS!

Um profeta fala em nome de Deus. E este “em nome de...” aqui não é mera pronunciação repetitiva de algo, ou a evocação de um espírito, mas uma representação. “Em nome de Deus” significa “representando Deus”, o que equivale dizer que se Deus estivesse aqui, em Pessoa, Ele estaria falando exatamente o que o profeta está falando.

Por associação, o que faz de alguém um falso profeta é o fato de este não falar da parte de Deus, mas de qualquer um (inclusive, ele próprio).

E disto está cheio por aí!

Eu não estou falando de orar antes de uma pregação! Isto definitivamente não é garantia de que aquilo que você vai falar vem de Deus. Eu estou falando de só abrir a boca para falar o que Deus quiser falar, e quando quiser falar (mesmo que seja bíblico).

Você sabe qual é talvez a maior característica de um falso profeta?

O falso profeta não é aquele que fala mentiras.

O falso profeta é aquele que fala o que as pessoas querem ouvir.

Essa é a explicação por que ele enganará a muitos (se possível até os eleitos).

Ora, quem é que vai na onda de um mentiroso descarado e deslavado?

Ah, mas é muito fácil ir atrás de um bajulador, de um sedutor, de alguém que só diz coisas agradáveis a respeito de tudo, inclusive de você, que tem o poder da persuasão, que é convincente, articulado, inteligente, que tem bons argumentos, sensatez... Ah, como é bom alguém assim!

Isto satisfaz nosso ego, atende aos nossos anseios e, claro!, não nos reprova.

Alguém que diz que tudo o que eu faço está bom, o que importa é o coração, é minha boa intenção, afinal, Deus é amor!

“Oh, glória!”

O falso profeta é falso porque fala em nome de si mesmo, em nome de sua reputação, em nome de sua imagem, em nome de sua denominação, em nome de sua arrecadação mensal, em nome de sua popularidade entre os homens, em nome de sua integridade física e moral, em nome de tudo isto... Menos de Deus!

Ele diz que é em nome de Deus. Mas se o próprio diabo se transforma em anjo de luz...

Às vezes, tenho a impressão de que os cristãos desse lado, especialmente os desse lado da Terra, seguem tranqüilamente seu destino, como se no final fossem tão somente se deparar com dois grandes portões; um onde está escrito “Céu”, e outro onde se lê “Inferno”. E apenas tivessem que escolher.

“Ah, desculpe. É por ali que eu vou. Com licença, sim?!”

“Não, espere! Eu também vou pra lá!”

“Ah, que ótimo! Assim podemos seguir conversando...”


E não há nada com o que se preocupar.

O diabo não se preocupa se você prega muito ou se ouve muitas pregações. O que realmente importa é O QUE você prega, O QUE você ouve e, sobretudo, SE VOCÊ VIVE isto que prega e/ou ouve.

Hoje em dia, há muitos “pregadores dos interesses dos homens” arrebanhando multidões de pessoas, julgando-se bem sucedidos na obra do Senhor.

Mas quantos os seguiriam, se esses homens lhes dissessem o que aquelas pessoas precisam, de fato, ouvir?

Se dissessem abertamente, por exemplo, aos casados que jamais, repito, jamais devem divorciar-se, mas amarem-se como Cristo ama a Igreja e vice-versa.

Ou dissessem aos divorciados que jamais, repito, jamais devem casar-se novamente, senão reconciliar-se com seus respectivos cônjuges ou viverem sozinhos.

Se dissessem aos jovens que jamais, repito, jamais devem defraudar-se mutuamente, provocando uns nos outros desejos e sentimentos que não podem satisfazer, e que Deus reservou apenas, repito, apenas para os casados.

Quantos os seguiriam?

Quantos de vocês os seguiriam?

Vamos falar um pouquinho das roupas que as irmãzinhas usam nas reuniões? Não, né?!

Que tal falarmos dos programas que você assiste? Dos filmes que você aluga? Dos sites que você visita? Também não?

Quem sabe falemos um pouco sobre sua declaração de imposto de renda, então? Ou sobre suas responsabilidades para com aqueles que lhe são credores? Não?

Melhor mudar de assunto.

Falemos de amor.

“Ah, o amor!”

Vamos falar de perdão para tudo o que você fizer (mesmo voluntariamente), de felicidade plena em todas as áreas da vida, de prosperidade financeira e profissional, de sucesso (no jogo e no amor), de vitória sobre todas as coisas, de cura sobre todas as doenças, afinal, você é lindo(a), você é dez (não tinha uma música assim, do Grupo Gerd?), você nasceu para ser cabeça e não cauda, você merece ser feliz, você é “o cara”...
Menos talvez para o Obama!

Eu tenho dito, irmãos, inclusive aqui, e reiteradas vezes, que atualmente as pessoas não precisam mais se converter. E completo: “Basta que procurem bem”.

Tem igreja, ou religião, ou “Deus” para todo mundo, para todos os gostos.

Não nego que Deus nos aceite do jeito que somos. Mas Deus jamais nos aceitará se continuamos do jeito que somos.

Mas hoje, se alguém “é de um jeito” e se lhe custa muito, digamos, “mudar” (“se converter” seria o termo – já que “conversão” é mesmo mudar a direção – mas achei forte demais)...

“Dê mais uma volta, rapaz! Não tenha pressa. Tá cheio de gente por aí que vai lhe dizer exatamente o que você quer ouvir”.

Aliás, Paulo já havia previsto a chegada de um tempo assim:


“Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias concupiscências, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.”
(II Timóteo 4:3,4)

E aqui estamos nós.

Este é o seu tempo.

Mas, por acaso, é esta também a sua escolha?

PAUL WASHER


Você precisa ver isto...



ALGUÉM COMO EU*

Clique, ouça e acompanhe


*Por Stênio Marcius

Entra, Mestre
Descansa um pouco
Estás cansado, estás sedento
E rouco

Dorme, Mestre
A casa é Tua
Já fechei porta e janela
Pra rua

Deixou-me falando só
Dormiu tão pesado, fazia dó
Como será, Mestre, este sonho Teu?
Sonhas como homem? Sonhas como Deus?
Sonhas com a glória que tinhas com o Pai na luz?
Ou sonhas com a cruz?

Perdoa, Mestre
Mas já é hora
Uma multidão Te espera
Lá fora

Estás decidido
Não te detenho
Vais curando até chegar
Ao lenho

Partiu, fica a paz em mim
Fica a sala com cheiro de jasmim
Vai verter a vida do corpo Seu
Pra levar a culpa de alguém como eu
Pra lavar o sujo do meu próprio eu
Levar-me puro a Deus

Nota do EdV:

Inegavelmente, uma das canções mais lindas que já ouvi em toda a minha vida.

Stênio é um gênio simples, de alma regionalista, do campo, da vida, e de Deus. Suas músicas sempre me abençoam muito.

Devo, portanto, e mais uma vez, um agradecimento especial ao brilhante João Alexandre, que, com sua sensibilidade, fez-me conhecer essa canção dias atrás, enriquecendo-a ainda mais (o que me custaria acreditar ser possível, não fosse o João!) com sua voz lindíssima, seu talento e violão.

Valeu, amigo!

Mas, sobretudo...

"Obrigado, Jesus, por amar alguém como eu!"

CARTA A DIOGNETO




Há muito tempo atrás, tive acesso, pela primeira vez, a uma leitura impressionante. Trata-se da “Carta a Diogneto”.

O documento, cuja autoria é completamente ignorada, havia sido endereçado a alguém, pelo menos, um pouco mais conhecido, mas não tanto: Diogneto. Sobre ele, se diz:

“Um pagão culto, desejoso de conhecer melhor a nova religião que se espalhava pelas províncias do império romano, impressionado pela maneira como os cristãos desprezavam o mundo, a morte e os deuses pagãos, pelo amor com que se amavam, queria saber: que Deus era aquele em que confiavam e que gênero de culto lhe prestavam; de onde vinha aquela raça nova e por que razões aparecera na história tão tarde.

Foi para responder a estas e outras questões de igual importância que nasceu esta ‘jóia da literatura cristã primitiva’, o escrito que conhecemos como a Carta a Diogneto.”


Esta é a introdução do livro “Padres Apologistas” (Editora Paulus, 1997).

Para variar, esse documento, cujo autor e destinatário têm identidades incertas, tem também uma data incerta, mas que provavelmente deve ser entre os anos de 70 d.C. a 150 d.C.

Seja como for, uma coisa, sim, é absolutamente certa: os fatos narrados nessa carta são próximos, bem próximos, da fonte de toda a nossa fé.

Por isso, faço aqui o registro de alguns pontos da obra, interessado que sou no cotidiano comum daqueles de quem, normalmente, ousamos afirmar serem nossos irmãos. Até para certificar-me de que posso, de fato, fazê-lo.

O conteúdo completo da carta, você lê aqui.

E pasmem vocês, foi assim que tudo começou!


CARTA A DIOGNETO


Exórdio

Excelentíssimo Diogneto, vejo que te interessas em aprender a religião dos cristãos e que, muito sábia e cuidadosamente, te informaste sobre eles: Qual é esse Deus no qual confiam e como o veneram, para que todos eles desdenhem o mundo, desprezem a morte, e não considerem os deuses que os gregos reconhecem, nem observem a crença dos judeus; que tipo de amor é esse que eles têm uns para com os outros; e, finalmente, por que essa nova estirpe ou gênero de vida apareceu agora e não antes. Aprovo esse teu desejo e peço a Deus, o qual preside tanto o nosso falar como o nosso ouvir, que me conceda dizer de tal modo que, ao escutar, te tornes melhor; e assim, ao escutares, não se arrependa aquele que falou.

(...)

O mistério cristão

Os cristãos, de fato, não se distinguem dos outros homens, nem por sua terra, nem por língua ou costumes. Com efeito, não moram em cidades próprias, nem falam língua estranha, nem têm algum modo especial de viver. Sua doutrina não foi inventada por eles, graças ao talento e especulação de homens curiosos, nem professam, como outros, algum ensinamento humano. Pelo contrário, vivendo em cidades gregas e bárbaras, conforme a sorte de cada um, e adaptando-se aos costumes do lugar quanto à roupa, ao alimento e ao resto, testemunham um modo de vida social admirável e, sem dúvida, paradoxal. Vivem na sua pátria, mas como forasteiros; participam de tudo como cristãos e suportam tudo como estrangeiros. Toda pátria estrangeira é pátria deles, e cada pátria é estrangeira. Casam-se como todos e geram filhos, mas não abandonam os recém-nascidos. Põem a mesa em comum, mas não o leito; estão na carne, mas não vivem segundo a carne; moram na terra, mas têm sua cidadania no céu; obedecem às leis estabelecidas, mas com sua vida ultrapassam as leis; amam a todos e são perseguidos por todos; são desconhecidos e, apesar disso, condenados; são mortos e, desse modo, lhes é dada a vida; são pobres, e enriquecem a muitos; carecem de tudo, e têm abundância de tudo; são desprezados e, no desprezo, tornam-se glorificados; são amaldiçoados e, depois, proclamados justos; são injuriados, e bendizem; são maltratados, e honram; fazem o bem, e são punidos como malfeitores; são condenados, e se alegram como se recebessem a vida. Pelos judeus são combatidos como estrangeiros, pelos gregos são perseguidos, e aqueles que os odeiam não saberiam dizer o motivo do ódio.

A alma do mundo

Em poucas palavras, assim como a alma está no corpo, assim os cristãos estão no mundo. A alma está espalhada por todas as partes do corpo, e os cristãos estão em todas as cidades do mundo. A alma habita no corpo, mas não procede do corpo; os cristãos habitam no mundo, mas não são do mundo. A alma invisível está contida num corpo visível; os cristãos são vistos no mundo, mas sua religião é invisível. A carne odeia e combate a alma, embora não tenha recebido nenhuma ofensa dela, porque esta a impede de gozar dos prazeres; embora não tenha recebido injustiça dos cristãos, o mundo os odeia, porque estes se opõem aos prazeres. A alma ama a carne e os membros que a odeiam; também os cristãos amam aqueles que os odeiam. A alma está contida no corpo, mas é ela que sustenta o corpo; também os cristãos estão no mundo como numa prisão, mas são eles que sustentam o mundo. A alma imortal habita numa tenda mortal; também os cristãos habitam como estrangeiros em moradas que se corrompem, esperando a incorruptibilidade nos céus. Maltratada em comidas e bebidas, a alma torna-se melhor; também os cristãos, maltratados, a cada dia mais se multiplicam. Tal é o posto que Deus lhes determinou, e não lhes é lícito dele desertar.

(...)

"QUE SEJA INFINITO ENQUANTO DURE" (mas que dure bem pouquinho, tá?!)



Jesus disse que por se multiplicar a iniqüidade o amor de quase todos se esfriaria, numa espécie de equação matemática entre duas grandezas inversamente proporcionais. Quando uma aumenta, a outra diminui na mesma proporção.

São notórios os tempos de densas trevas que vivemos em nossos dias atuais. Fácil concluir que o amor hoje deve ter temperatura quase antártica.

Em contrapartida, porém, fala-se muito em amor. Não sei se mais ou menos que antes, mas certamente muito. Muitíssimo!

Assim, estamos em terrível dilema: qual deve ser a qualidade do muito amor de nossos dias? Se Jesus estava certo, ela é péssima. Mas alguns preferem crer que Ele estava errado, e que hoje estamos amando melhor.

Eu fico com a primeira opção.

Não acredito que por falarmos muito acerca do amor estejamos amando mais e melhor. Não, definitivamente.

Devemos saber que não é o que chamarmos de amor que será, invariavelmente, amor. O fato de eu chamar alguma coisa de algo, não significa que aquela coisa seja mesmo algo. Ainda mais que a natureza daquela alguma coisa é de Deus. Ora, se é Deus, só Deus pode dizer o que ela é e como é.

O nome que dou ao “amor de nossos dias” é conveniência, uma vez que se auto-atende, se auto-preserva e se auto-justifica.

A Bíblia diz que o amor não busca seus próprios interesses e não acaba nunca (ICo.13:5b,8). Se Deus não se equivocou ao colocar aquilo ali... O que é isto que estamos vivendo hoje?

Outra coisa, ora. E eu a chamo de conveniência.

O amor segundo a conveniência busca seus próprios interesses, porque é justo o que reivindica. O amor segundo a conveniência acaba, quando for “melhor assim”.

Mas para (auto) justificar o tão baixo nível do amor com que temos nos amado hoje, algumas pessoas dizem que há vários tipos dele, e que esse, imortal e altruísta, é o de Deus, não “o nosso”. Assim fica desculpado aquele que ama tão mediocremente. A culpa é do amor.

É o preço.

Num tempo em que está tão em voga falar de amor, todos falam, menos o amor.

Deus mesmo não fala de amor entre nós. Nós falamos por Ele. Nós colocamos as palavras na boca d’Ele. E ai d’Ele se o negar!

Que é o amor?

O amor não é um sentimento, inda que o mais nobre deles. Amor é uma decisão, voluntária, racional e determinada.

Sentimentos vêem e vão. O amor permanece (ICo.13:13).

O amor é de Deus, pois Deus é amor (IJo.4:8,16), mas não o que chamamos amor. Conhecemos o amor conhecendo Deus. Vendo-O amar. E Ele nos amou quando ainda éramos seus inimigos. Por isso mesmo é que Ele pode nos pedir que amemos aos nossos próprios inimigos (Mt.5:44).

Quem é capaz de sentir algum sentimento favorável de apreço e respeito por um inimigo seu, que tantos males lhe tenha causado? Como se produz um sentimento desses?

Isso só é possível graças a uma decisão tomada em esforço, mas conscientemente, na direção da alma indigna. Ainda que, certamente, os sentimentos interiores sejam muito outros.

Ainda há mais: Deus amou-nos de tal maneira que nos deu Seu único Filho, e assim pode nos pedir que demos o melhor que temos, e até a única coisa, mesmo sob o risco de recebermos tão pouco em troca, e estarmos satisfeitos, pois Ele o faria ainda que fosse por uma alma apenas.

Isto não é sentimento! Não há interesses próprios nisto!

Há só amor mesmo. Sem grandes justificativas, sem muitas explicações. O amor não quer mais nada senão amar.

Amar na voz ativa mesmo. O amor não exige reciprocidade (embora seja bom tê-la).

Aliás, o amor não se auto-condiciona a nada nem ninguém. Se é para amar, não tem “mas e se...” ou o quê.

E o resto é conveniência.

Conveniência é conivência.

O amor viniciano é belo, intenso, sereno... Mas é chama. Queima, arde e vai.

É mais paixão que propriamente amor.

E amor que é mais outra coisa não é amor. Amor que se parece com isto ou aquilo não é amor.

O amor é pleno.

Muito maior, portanto, que eu ou você.

ORAÇÃO DE UM PROFETA MENOR*


Esta oração é pronunciada por um homem chamado a ser testemunha ante as nações, e foram estas as palavras que disse ao seu Senhor no dia em que foi ordenado. Depois de os anciãos e ministros terem orado e pousado sobre ele as suas mãos, retirou-se para estar a sós com o seu Salvador, no silêncio, mais além do que os seus irmãos bem intencionados o podiam levar. E disse:

“Senhor, escutei a tua voz e tive medo. Chamaste-me a uma tarefa solene numa hora grave e perigosa. Em breve abalarás todas as nações, a terra e também o céu, para que fique só aquilo que é inabalável. Senhor, nosso Senhor, aprouve-Te honrar-me chamando-me a ser teu servo. Só aceita esta honra aquele que é chamado a ser teu servo, visto ter de ministrar junto àqueles que são obstinados de coração e duros de ouvido. Eles Te rejeitaram, a Ti, que és o Amo, e não posso esperar que me recebam a mim, que sou o servo.

“Meu Deus, não vou perder tempo a deplorar a minha fraqueza ou a minha incapacidade para o trabalho. A responsabilidade é tua, não minha, pois disseste: ‘Conheci-te, ordenei- te, santifiquei-te’, e também: ‘Irás a todos aqueles a quem Eu te enviar, e falarás tudo aquilo que Eu te ordenar’. Quem sou eu para argumentar contigo ou para pôr em dúvida a tua escolha soberana? A decisão não é minha, mas sim tua. Assim seja, Senhor; cumpra-se a tua vontade e não a minha.


“Bem sei, Deus dos profetas e dos apóstolos, que, enquanto eu Te honrar, Tu me honrarás a mim. Ajuda-me, portanto, a fazer este voto solene de Te honrar em toda a minha vida e trabalho futuros, quer ganhando quer perdendo, na vida ou na morte, e a manter intacto esse voto enquanto eu viver.


“É tempo, ó Deus, de agires, pois o inimigo entrou nos teus pastos e as ovelhas são dilaceradas e dispersas. Abundam também falsos pastores que negam o perigo e se riem das ameaças que rodeiam o teu rebanho. As ovelhas são enganadas por estes mercenários e seguem-nos com fidelidade, enquanto o lobo se acerca para matar e destruir. Imploro-Te que me dês olhos bem abertos para descobrir a presença do inimigo; que me dês compreensão para distinguir entre o falso e o verdadeiro amigo. Dá-me visão para ver e coragem para declarar fielmente o que vejo. Torna a minha voz tão parecida com a tua que até as ovelhas doentes a reconheçam e Te sigam.


“Senhor Jesus, aproximo-me de Ti em busca de preparação espiritual. Pousa a tua mão sobre mim. Unge-me com o óleo do profeta do Novo Testamento. Impede que eu me transforme num religioso e perca assim a minha vocação profética. Salva-me da maldição que paira sombriamente sobre o sacerdócio moderno; a maldição da transigência, da imitação, do profissionalismo. Salva-me do erro de julgar uma igreja pelo número de seus membros, pela sua popularidade ou pelo total de suas ofertas anuais. Ajuda-me a lembrar-me de que eu sou profeta, não um animador, não um gerente religioso, mas um profeta. Que eu nunca me transforme num escravo das multidões. Cura a minha alma das ambições carnais e livra-me do prurido da publicidade. Salva-me da servidão das coisas materiais. Impede-me de gastar o tempo entretendo-me com as coisas da minha casa. Faze o teu terror pousar sobre mim, ó Deus, e impele-me para o lugar de oração onde eu possa lutar com os principados, e potestades, e príncipes das trevas deste mundo. Livra-me de comer demais e de dormir demais. Ensina-me a auto-disciplina para que eu possa ser um bom soldado de Jesus Cristo.


“Aceito trabalho duro e pequenas compensações nesta vida. Não peço um cargo fácil. Procurarei ser cego aos pequenos processos de facilitar a vida. Se outros procuram o caminho mais plano, eu procurarei o caminho mais árduo, sem os julgar com demasiada severidade. Esperarei oposição e procurarei aceitá-la serenamente quando ela vier. Ou se, como por vezes sucede aos teus servos, o teu povo bondoso me obrigar a aceitar ofertas expressivas de gratidão, conserva-Te ao meu lado e salva-me da praga que a isso freqüentemente se segue; ensina-me a usar o que porventura receber de tal modo que não prejudique a minha alma nem diminua o meu poder espiritual. E se a tua providência permitir que me advenham honras da tua Igreja, que eu não esqueça naquela hora que sou indigno da mais ínfima das tuas misericórdias, e que, se os homens me conhecessem tão intimamente como eu me conheço a mim próprio, me retirariam tais honrarias para as darem a outros mais dignos delas.


“E agora, Senhor do céu e da terra, consagro-Te o resto dos meus dias, sejam eles muitos ou poucos, consoante a tua vontade. Quer eu me erga perante os grandes quer ministre aos pobres e humildes, essa escolha não é minha, e eu não a influenciaria, mesmo que pudesse. Sou teu servo para cumprir a tua vontade. Ela é mais doce para mim do que a posição, ou as riquezas, ou a fama, e escolho-a acima de tudo o mais na terra ou no céu.


“Embora eu tenha sido escolhido por Ti e honrado por uma alta e santa vocação, que eu nunca esqueça que não passo de um homem de pó e cinza com todos os defeitos e paixões naturais que atormentam a humanidade. Rogo-Te, portanto, meu Senhor e Redentor, que me salves de mim próprio e de todo o mal que eu puder fazer a mim mesmo enquanto procuro ser uma bênção para os outros. Enche-me do teu poder pelo Espírito Santo, e eu caminharei na tua força e proclamarei a tua justiça - a Tua tão somente. Anunciarei a mensagem do teu amor redentor enquanto tiver forças.


“E, Senhor amado, quando eu for velho e estiver fatigado, demasiado cansado para prosseguir, prepara-me um lugar lá em cima e conta-me entre o número dos teus santos na glória eterna. Amém.”


Autor: A. W. Tozer


(Originalmente publicado em Português pela Revista Teológica,
Seminário Teológico Batista, Leiria, Portugal, Vol III,
Abril- Junho 1964, No. 2)


EU NÃO ESTOU APAIXONADO POR JESUS



Não tem jeito. Eu tentei me conter, mas não tem jeito. Vão me chamar de louco, de radical, de julgador, de isto, de aquilo... Mas não posso me calar ao que sinto. E estou pronto para as pedras, se vierem.


“A mediocridade é a arte de não ter inimigos”, disse o humorista peruano Sofocleto. A isto eu acrescentaria ainda que uma mediocridade que se preze não tem consciência de si própria, posto que é medíocre. Assim, seria medíocre de minha parte não mexer neste vespeiro; e medíocre será quem nem ao menos considerá-lo.


É comum a Igreja tomar emprestado alguns valores dos tesouros escusos que o mundo possui, para utilizá-los no serviço sagrado de servir a Deus.


Creio que isto ocorre, em parte, por inspiração de um testemunho pessoal feito por Paulo em sua primeira carta aos coríntios, capítulo 9, versículos 20 a 23, quando ele dizia ter se feito passar por tudo (judeu, sem lei, fraco...) para com todos com o fim de salvar alguns.


Mas temo ainda mais que, no (des)esforço de ser “tudo para com todos”, a Igreja acabe por aceitar ser também tola para com os tolos, tornando-se estúpida; e impura para com os impuros, tornando-se mundana.


É assim que hoje vemos elementos místicos de tamanha estranheza sendo misturados à fé cristã genuína, produzindo mais uma espécie de sincretismo evangélico do que qualquer suposta manifestação espontânea de Deus, no sentido de alcançar alguém ou alguns, como a gostam de legitimar.


Um desses elementos é a paixão.


Quero crer que, em algum momento, em algum lugar, por alguma razão muito justificável e pura, alguém, completamente enlevado pela presença de Deus e constrangido a dizer-Lhe algo que fosse original, ousou pronunciar-Lhe as palavras “Estou apaixonado por Ti!”. Esse gesto, sem dúvida, deve ter alegrado muito o coração do Pai, porque pretendia sintetizar o “insintetizável”, traduzir o intraduzível e dizer o que era – agora se sabe – simplesmente indizível.


Aliás, este termo aí, “simplesmente”, nos remete àquela que é o grande divisor de águas entre o que pode ou não ser aprovado diante dos olhos de Deus: a simplicidade. Segui-la é garantia de sucesso; abster-se dela, de fracasso.


Lembremo-nos, por exemplo, de que a diferença entre o sacrifício de Abel e de Caim é que o primeiro foi, ipsis litteris, do jeitinho que Deus pediu; enquanto que o segundo foi inovador, diferente. Nada, porém, do que “rezava a cartilha de Deus”. E o resultado, todos sabemos qual foi.


Mas, das duas, uma: ou havia alguém perto quando aquele sincero adorador declarou seu amor apaixonado a Deus, e esse alguém achou bonito, inovador, diferente, “mó legal” e resolveu espalhar; ou o próprio autor da façanha resolveu repetir a dose...


E pegou!


Infelizmente.


Porque agora é um tal de estar de apaixonado por Deus pra cá, estar apaixonado por Deus pra lá, estar desesperado de amor, enlouquecido de amor, bêbado de amor, enamorado, ensandecido, alucinado...


Às vezes, sinto como se estivesse assistindo ao diálogo de um casal, durante uma tórrida cena de amor, num filme romântico qualquer.


Nossas músicas... Nem o Wando faria melhor!


E então somos uma geração de apaixonados... Ora, mas vejam só!


Segundo alguns dos muitos dicionários que procurei, a paixão é uma espécie de sentimento excessivo, amor ardente, afeto violento, entusiasmo, cólera, grande mágoa, vício dominador, alucinação, sofrimento intenso e prolongado, parcialidade.


Vale também uma consulta pelo Wikipédia para ver a definição de paixão por lá.


E há outras definições, provavelmente menos oficiais, mas nem por isto, desinteressantes, como a do Melhor da Net que diz que a paixão é o amor que se desequilibra. Ou a do Diclucki que diz que ela é o sentimento que impede de se raciocinar com a lógica. Ou ainda a do Blog da Adriana, que define paixão como sendo algo intenso, mágico, que parece único, e que conclui dizendo: “O grande problema é que sem os componentes de intimidade e de compromisso do amor, a paixão pode desaparecer de repente, tão rápido quanto apareceu.”



Aliás, este último detalhe é de grande relevância para o que me proponho dizer aqui.


Há uma grande diferença entre amar e estar apaixonado, e, nisto, todos parecemos concordar. Mas um desavisado alienígena, que nos visitasse e visse de perto muitas das manifestações de paixão que são feitas ao Senhor, concluiria facilmente que a paixão deve ser, sem dúvida, um estágio avançado de amor; quando o contrário é que é verdadeiro.


A paixão é passageira e, pior, curtíssima. O amor jamais acaba (I Coríntios 13:5b). A paixão é algo superficial, comum e relacionado à pele. O amor é profundo, sobrenatural e está ligado ao caráter, ao espírito.


A professora e pesquisadora da Universidade Cornell de Nova York, a americana Cindy Hazan, acredita que a paixão nos seres humanos dure – veja só! – de 18 a 30 meses, “tempo de vida” suficiente apenas “... para que o casal se conheça, copule e produza uma criança” (leia aqui).


Desculpem-me usar neste texto essa linguagem tão formal, científica e talvez carnal demais para alguns, mas o que quero exatamente é ressaltar isto: preocupa-me esta inserção de valores feita à revelia no seio da Igreja. Nem sequer sabemos o que significam certos termos que utilizamos.


Talvez o conceito das Escrituras nos valha, não é?!


Lá, vamos encontrar cinco referências à palavra paixão. Em apenas uma delas, o termo hebraico usado, “yahab”, foi traduzido como “apaixonadamente”, indicando intensidade (Oséias 4:18), mesmo assim relacionada a algo ilícito, a desonra. Em outras duas (Provérbios 7:11; 9:13), a palavra é “hamah” (apaixonado), cuja raiz é, entre outras, murmurar, rosnar, rugir, enfurecer, tumultuar e perturbar. Quanto a Ezequiel 23:11, o termo que foi traduzido por paixão é “àgabah” e significa lascívia mesmo, exatamente como foi traduzido em Colossenses 3:5, sem rodeios: “... paixão lasciva...”


Como vêem, a paixão não parece gozar de muito prestígio bíblico.


Mas não é apenas uma questão de semântica, como se substituindo um palavra por outra, a coisa pudesse se resolver. Não, infelizmente.


Há todo um clima, um ambiente místico criado ao redor deste “mover”: músicas longas e de frases curtas que, repetidas à tão grande exaustão, lembram mais alguns mantras hindus; danças (ou meros gestos?) semelhantes a um estado de transe hipnótico e afeições estático-abobalhadas um tanto quanto esquisitas demais, como se a pessoa estivesse sob o efeito de alguma droga anfetamínica.


No fim, tal experiência pareceu mais fruto de uma abdução que de um “encontro com Deus”.


Aliás, não lhes soa estranho que “encontros com Deus” não eram tão freqüentes assim na vida dos santos do passado? E, se haviam, os sintomas eram muito outros!


Quando Deus falou do meio da sarça que ardia, Moisés “... escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus” (Êxodo 3:6). Mais tarde, curiosamente depois de outras aparições apoteóticas, Deus responde a um pedido de Moisés para ver a Sua glória dizendo: “Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá minha face e viverá” (Êxodo 33:20). Moisés só viu o que pôde ver, e sequer ao menos sabia que seu rosto resplandecia depois disso (Êxodo 34:29).


Isaías “viu” a Deus e, porque creu, temeu pela própria vida. Zacarias “viu” a Deus e, porque não creu, ficou três meses mudo. Mas nem nestes casos nem noutros, vemos qualquer coisa parecida com o que temos visto em nossos dias.


Será que somos uma geração mais privilegiada que as gerações bíblicas?


Vejam também os grandes pais de nossa fé: Agostinho, Lutero, Wesley, Finney, Moody... Homens introspectivos, castos, reverentes, morigerados. Por que não lhes copiamos?


Ah, porque somos os “adoradores extravagantes”, não é?! Será que não vemos? “Extravagante” significa “esbanjador; perdulário”. O que isto tem a ver com Cristo, meu Deus?


Há um excelente artigo escrito pelo Pr. Vanderlei Frari, de Londrina/PR, entitulado “Extravagante ou Extravasante?”, e que eu recomendo, em que ele corrige o termo (talvez quiséssemos dizer “extravasante”, cujo significado vai bem mais à calhar), e faz uma proposição interessante: porque não nos levantamos como uma geração de “ofertantes extravasantes”?


Eu aproveito e sugiro também uma geração de “santos extravasantes”, ou de “servos extravasantes”, ou de “perdoadores extravasantes”, ou de “obedientes extravasantes”, enfim.


Mas o fato é que eu considero suspeita essa manifestação pós-modernista de culto, porque todo encontro do homem “com Deus” resultou sempre numa mudança radical de seu caráter (e algumas vezes até do nome), fazendo-o olhar-se dentro e conhecer-se tão potencialmente mau que não lhe restava outra coisa senão tremer e temer.


E o que sugiro aos meus amados irmãos que sinceramente querem expressar-se a Deus é mesmo isto: uma reflexão; igualmente sincera.


E, ao mesmo tempo, que fiquem tranqüilos com o que eu digo aqui, porque é apenas a opinião de alguém que também será julgado diante de Deus; motivo pelo qual eu temo muito não ser achado aprovado por Ele...


Inclusive, naquilo que julgo estar fazendo em Seu nome (Mateus 7:22).