DISPENSAÇÃO

Se há graça, e há
Qual meu medo?
Pois que sou, inda que incrédulo?
De que me valho, posto que insisto
Em suprimir-Te virtudes e poderes
Em duvidar-Te amores e perdões
Em ignorar-Te vontades e quereres
E preterir-Te às minhas vãs paixões?

Afãs
Regalos
Quimeras
Inservis vassalos, de couraça adâmica
– não se dobram! Incontinentes!
Mas de teimar em teimar
Persuadir, dissuadir, perturbar
Vivem
Vivem?
Melhor: que viver, que nada!
Viver aquém d’olhos Teus?
Não! Não me engano!
De teimar em teimar
Persuadir, dissuadir, perturbar
Ocupam-se – isto sim! – nada mais!

Mas se há graça, e há
Qual meu medo?
Não me basta?
Sim, eu sei; e bem mais que sei, deve ser
(e se não sei o quanto, é fato!)
Cabal e inconteste é
Depende e independe de fé
A diferença é no viver
E isto eu faço – ou tento
Viver pela fé que alimento
Em Cristo, razão de meu ser

Ah, Senhor, se há graça, e há
Qual meu medo?
De não recorrer sequioso? Talvez
E mesmo assim é ter menos, só
É o pecado? O mundo?
De tão em voga, não seria o desemprego?
Da vinda certa de hora incerta – ó morte?
Qualquer coisa à guisa de apego?
Em viver sozinho é o calafrio?
Tolo! Beiro ao ridículo e ao desatino

Se há graça, e há – Meu Deus!
Qual meu medo?
Vencidas e vincendas tantas – não importa!
É direito, sentença, justiça
Privilégio, lisonja, prazer
É dever de Quem oferta e atiça
Livre escolha, carinho, querer
Vou sacar – ora, não? – o que mais?
Sem recurso é que não ficarei!
Sou criança de adulto crescer
Incapaz meu viver em si só
Seja por, para, de ou o que for
E se vivo é de mesmo pedir
De buscar, de bater, inquirir
Com respeito, porém!

p.s.:

Ao diabo, um recado:
Não estou à venda!
Sou caro e já fui comprado
Sou milagre!
Aleluia! Amém!
"Acheguemo-nos, portanto, confiadamente,
Junto ao trono da graça,
A fim de recebermos misericórdia
E acharmos graça para socorro
Em ocasião oportuna."
(Hebreus 4:16)