Quinta-feira, 24 de Julho de 2008

PARADOXAL



É o que a Bíblia diz.

Foi Deus Quem nos escolheu, e não nós a Ele.

Ah, e se nos decidíssemos agora a negá-Lo? Estaríamos sendo negados também?

E depois, se nos arrependêssemos, voltando? Seríamos trazidos?

E no final – negados ou não, arrependidos ou não – afinal, somos nós ou não?

Em sendo Deus, segue-se que Ele tudo sabe.

Sabe-se que Ele tudo pode.

E nós não.

Porém, é fato, que sem culpa não há que se falar em punição.

Mas você também ou só eu, já sentiu cada vez mais distância quanto mais se achegava?

E por quê?

Não é curioso – ou, no mínimo, irônico – que tendo sido trazidos a este mundo por Ele, para sermos d’Ele, acabemos por sair daqui sem tê-Lo?

Assim, o que seria minha aproximação tornar-se-ia meu banimento.

Paradoxal.

Como a beleza que destrói, da figura acima.

E, pois, é isto mesmo o que eu sou, e somos, apenas:

Uma figura.
“Se for eu, ensina-me!
Se fores Tu, conduzes-me!
Pois no fim, tudo é mesmo Teu;
Tudo é mesmo em Ti!”

Terça-feira, 22 de Julho de 2008

NIRVANA




Ah, os japoneses!

Sempre à frente do seu tempo!

Que inveja, meu Deus!

Quem sabe um dia todos nós não chegamos lá também, hã?

E, como eles, acabamos de vez com as outras religiões!

EM CARTAZ



Numa igreja perto de você!

UNI-DUNI-TÊ!





E o que é que isto muda?

Muita gente prefere outros povos aos europeus também.

MEUS MAIS SINCEROS VOTOS



Está aberta a temporada de caça aos votos dos eleitores em todo o país.

Este ano elegeremos prefeitos e vereadores.

E muitos irmãos (ou não) entre eles também, certamente.

Assim, aproveite!

Não é sempre que vamos ver os homens do colarinho branco comendo pastel de carne e tomando caldo de carne nos botecos e bares que normalmente nós freqüentamos.

Não será sempre (ou quase nunca) que nossas criancinhas serão beijadas por eles, e muito menos nossos idosos receberão abraços acalorados (talvez nem vivam tanto mais para uma próxima vez, coitados).

Agora sim, é bem provável que, depois de esperar numa fila do SUS desde as 04 horas da manhã, você seja premiado com a visita solene de um desses “homens da televisão”. E ele poderá até conversar um pouquinho com você. E você aparecerá na televisão, no horário eleitoral! E todo mundo (sic) da sua rua vai vê-lo(a)!

Você vai acabar indo embora pra casa, depois de mais umas duas horas de espera, sem atendimento, é verdade, mas isto talvez valha a pena.

Não?

Mas é óbvio que, como não poderia deixar de ser, nossos cultos e congressos serão lembrados também. Talvez há tempos nossos altares não são tão ilustremente visitados.

Pois, prepare-se para ver os “seu dotô” freqüentando nossas reuniões noturno-dominicais, com Bíblia debaixo do braço e tudo.

Não vai ser surpresa alguma vê-los subindo nos púlpitos (ou palanques?) e, dentre um “aleluia” e outro, fazerem declarações apaixonadas de amor ao povo evangélico, à fé cristã, prometendo coisas nunca antes vistas, dignas apenas da Nova Jerusalém.

Eles vão decorar versículos bíblicos. Não muitos, na verdade. Aqueles mais bonitos.

Alguns vão lembrar – e vão cantar – de algumas linhas das estrofes de corinhos tradicionais simples (que serão entusiasticamente acompanhados pelos “ministros de louvor”).

Depois vão contar testemunhos emocionantes de orações que a mãe, a avó ou uma tia que morreu há anos fazia por eles, e que essas pessoas lhes deixaram valores cristãos que, segundo eles, permeiam até hoje todos os princípios éticos que podem ser vistos (sic) em toda a sua trajetória pública e política, em todos esses anos.

Aí, a partir daquele momento, vai por mim: glorifique muito a Deus, se os ouvir falar d’Ele mais alguma vez!

E tome blá-blá-blá, blá-blá-blá, blá-blá-blá...

Uns vão se converter. Em várias igrejas, inclusive.

Aliás, pra ser mais sincero, é bem provável que se convertam em várias religiões.

Sim, porque, é só verem terminada a agenda política entre os evangélicos, e eles partirão para as paróquias e para os terreiros, convertendo-se cá e acolá também.

Eles sabem que esse sensacionalismo emocional todo ilude muita gente.

Afinal, nós, cristãos, somos de um potencial eleitoral muito grande.

E ficamos tão alegres quando vemos “o mundo reconhecendo a Cristo”, não é?!

Mesmo que Jesus tenha dito que não, que isto jamais aconteceria.

(Ele deve ter se enganado, ora bolas!)

Lembro-me, por exemplo, que dois dos maiores líderes da denominação a que eu pertencia anos atrás, eu só via em épocas como esta.

Nos anos seguintes, eles nem apareciam (possivelmente estavam muito ocupados com os cargos políticos que lhes demos).

Mas era vencerem seus mandatos, e eles, ufa!, conseguiam um tempinho para aparecerem de novo, com suas mensagens “abençoadoras” e seu carisma “irresistível”.

Reeleitos, sumiam de novo.

Mas eles sempre voltam.

Lembro-me também de um congresso, já tradicional por aqui, há muitos anos atrás, quando dezenas de pastores impunham as mãos sobre a cabeça de um desses políticos de projeção nacional que viera à procura de votos dos crentes, prometendo-lhes, literalmente, mundos e fundos.

Lembro-me de sua “conversão” ali...

Tsc, tsc, tsc...

Como somos tolos!

Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

TER OU NÃO TER...


“... a Si mesmo Se humilhou...”
(Filipenses 2:8)

Os reinos do mundo e os tesouros da Terra são como o lixo diante de Deus.

O Criador, Sustentador e Destruidor do universo não Se sente seduzido por nenhum deles.

A cobiça do mundo não mancha Sua mente, e os valores daqui não fazem sombra alguma à Sua luz.

Deus é incorruptível.

Corromper, muito mais sutil do que perverter ou desmoralizar, significa mudar os valores.

Por este raciocínio simples, é fácil imaginar que, Se Deus estivesse assentado no lugar mais elevado dessa terra, ali Ele já estaria rebaixado. E os anjos do céu, por certo, cobririam Seus rostos para não verem-No submetido à tamanha ignomínia.

Fora do lugar onde Ele já esteja, não há qualquer outro lugar no universo que Lhe seja digno afinal.

Assim, se Deus escolhesse viver entre os reis, príncipes, imperadores ou entre as maiores sumidades havidas em todos os tempos, Ele já não escaparia do vexame.

Imagine então vê-Lo nascer num cocho, dentro de uma estrebaria, meio às fezes e urinas dos cavalos e dos gados.

Imagine-se lá. Sim! Você.

Devo dizer, entretanto, que, para alguém como Deus, aquele lugar e o Palácio de Buckingham são a mesma coisa. E o Burj Al Arab não é mais belo ou limpo também.

Como já vimos antes, Deus Se esvaziou completamente de Si, e, em Jesus, veio habitar entre nós, “... cheio de graça e de verdade...” (João 1:14), rebaixando-Se a um nível jamais imaginado por nossas mentes criativas.

Porém, vemos agora que Ele, já despojado de toda a glória que tinha com e como Deus, viera também destituído de toda a glória que poderia ter (embora indignamente ainda) entre os homens.

Se para você e para mim fosse indiferente nascermos ricos ou pobres, certamente escolheríamos ser ricos. Afinal, um pouco de conforto não faz mal a ninguém.

Ou a quase ninguém.

Sim, porque Jesus, por certo, escolheria a pobreza.

Escolheria, simplesmente, porque escolheu.

Não nasceu rei, não nasceu príncipe, não nasceu nobre.

Nasceu indigente.

E mais: viveu anônimo.

Assim como no post anterior, aqui também Jesus Se humilhou porque ninguém poderia fazê-Lo, ou fazer a Ele.

É um maior que submete um menor à humilhação.

Entretanto, quem é maior do que o Alto e Sublime, que o Soberano e Excelso, que o Deus dos deuses, Senhor dos senhores e Rei dos reis?

Jesus então novamente Se abaixa, Se inclina, mas agora de uma maneira ainda mais inadmissível, Ele o faz entre os homens, “... sendo obediente até a morte, e morte de cruz.” (Filipenses 2:8)

Jesus obedece.

A todos.

Em tudo.

Até o fim.

O pior fim.

É importante dizer, antes de terminar, o óbvio: Jesus não perdeu Sua autoridade Se fazendo homem e, entre os homens, obedecendo-lhes.

Ao contrário, Ele a reforçou.

O que Jesus fez foi humilhar-Se, tornando-Se o menor entre todos, e o fez obedecendo e servindo os demais (Ele que, como Deus até então, nunca precisou obedecer a coisa alguma ou a ninguém).

Mas a obediência jamais vai ser humilhante para quem se propõe a segui-la.

A obediência, afinal, não humilha ou envergonha ninguém, porque no Reino de Deus é diferente.

"Mas entre vós não é assim;
Pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós,
Seja esse o que vos sirva;
E quem quiser ser o primeiro entre vós,
Será servo de todos.
Pois o próprio Filho do homem não veio para ser servido,
Mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos"
(Marcos 10:43-45)

Quinta-feira, 19 de Junho de 2008

SER OU NÃO SER...



“... a Si mesmo Se esvaziou...”
(Filipenses 2:7)

A obra mais elevada que Deus já realizou em toda a eternidade foi rebaixar-Se.

Se estivermos falando de Alguém que é Deus (e estamos), a ressurreição dos mortos não parece ser algo demasiado difícil para Ele, não é mesmo?! Menos ainda, a cura de qualquer enfermidade. Ou ainda a operação de algum milagre.

Alguém que se chama Deus só recebe essa alcunha porque se parece com Tal.

Assim, não é de espantar Suas manifestações de poder assombroso no decorrer dos anos. Quando vejo pessoas duvidando das histórias que lemos nas Escrituras Sagradas, percebo que o fazem porque ignoram a natureza do Indivíduo acerca de Quem elas tratam.

Não é Deus?

Se algo lá nos causa perplexidade e atiça nossa incredulidade isto deveria ser facilmente resolvido quando nos lembramos de Quem é a pessoa alegada ali como responsável por qualquer quimera.

Alguém pode até confessar a não existência de Deus – e, por conseqüência, rejeitar todo o resto acerca d’Ele – mas, uma vez que admite a possibilidade de um Deus, não há como negar Sua soberania e capacidade de fazer tudo e qualquer coisa. Ou então, não seria Deus.

Por essa razão, digo-lhes que a obra mais alta, mais impressionante e mais admirável já realizada por Deus dentre todas as outras aconteceu para baixo, descendo. Até pousar, e repousar, numa manjedoura em Belém da Judéia.

Ali, Deus se esvaziou de toda a Sua glória, e se fez um homem.

Tenho todo o respeito pelos esforços que a mente humana faz no sentido de, por vezes, explicar o espiritual.

Mas acho, honestamente, que é muito mais sincero quando assumimos nossa incapacidade de discernir além da linha limítrofe em que Deus nos encerrou.

A palavra “esvaziou” aí deveria ser suficiente para compreendermos bem o que aconteceu. Não devemos ter medo de assumi-la da forma como ela mesma se sugere, e assim diminuir a Deus, pois Deus mesmo não a usaria, ou não a permitiria, se ela Lhe diminuísse em alguma coisa.

Aliás, há algo que possa diminuir a Deus?

Esvaziar é, literalmente, tornar vazio, evacuar, desocupar.

Deus esvaziou-Se de Si mesmo. Tirou tudo o que tinha de Si. Deixou na glória. E desceu gente. E desceu Jesus.

Jesus era o Deus esvaziado. Por mais que isto nos pareça ambíguo e contraditório, Jesus foi, por assim dizer, o Deus-não-Deus, ou o Deus completamente homem.

Sim, completamente homem, pois esvaziar é retirar o conteúdo.

Não gosto da frase-pronta de que Jesus era 100% Deus e 100% homem.

Não é o que dizem as Escrituras Sagradas.

Se, de fato, esvaziou-se, era 100% homem, mas não era 100% Deus.

Acho mais sincero e simples quando assumimos isto, sem medos bobos. Deus nunca deixará de ser Deus por isto, e Jesus nunca deixará de ser Jesus.

Jesus, vazio de Deus, assumiu a forma de servo, tornou-Se semelhança de homem e foi reconhecidamente identificado assim entre os seus.

As pessoas não viam Jesus margeado com uma aura azul reluzente ao redor, e uma auréola branca sobre a cabeça.

Quando olhavam, era um homem que viam.

Provavelmente se você trombasse n’Ele na rua, pediria desculpas e seguiria adiante, sem saber que Aquele era o Filho de Deus.

E não saberia por que não era mesmo simples de se saber.

Durante 30 anos de sua vida, Jesus esteve calado.

Neste tempo, viu certamente todo o tipo de injustiça e maldade de que podia o coração do homem. Ouviu muita lamúria e percebeu muito rancor.

Mas calou-Se.

Era só o filho do carpinteiro de Nazaré.

Sejamos francos: só nós sabemos que aquele filho de José era também o Messias, o Salvador do mundo. As pessoas lá não tinham como saber. A Bíblia ainda não tinha sido escrita.

Só nós. E mesmo assim é porque conhecemos o final.

Ou você, lá, ia ser o único(a) que ia ver o garotinho Jesus correndo atrás de um bezerrinho e gritar: “Bendito é o que vem em nome do Senhor!”?

Quando ouviram-No dizer, mais tarde, que era o Filho de Deus, muitos riram, assim de cantinho de boca, ironicamente, ou pensaram: “Mas que bobagem!”. E muito provavelmente, nós faríamos o mesmo.

“Onde já se viu? Deus aqui, entre nós?”

Sim, era difícil mesmo de crer.

Por isto, esta foi Sua obra mais elevada e transcendental.

Porém, Deus, capaz de fazer tudo e qualquer coisa, podia, inclusive, fazer isto: esvaziar-Se.

E Se esvaziou.

Fez isto por que ninguém poderia fazê-Lo ou fazer-Lhe.

Fez isto, mas – pasmem ainda mais! – não parou por aí.

Entretanto, é o bastante.

Por ora.

Terça-feira, 3 de Junho de 2008

PARA QUEM BUSCA A VONTADE DE DEUS...


... eis aqui algumas boas dicas de quem entende do assunto.


DISCIPLINA DO SENHOR
Por Missão Portas Abertas

"Nenhuma disciplina parece ser motivo de alegria no momento, mas sim de tristeza. Mais tarde, porém, produz fruto de justiça e paz para aqueles que por ela foram exercitados." (Hebreus 12. 11)

A Palavra de Deus nos diz para suportarmos as dificuldades, recebendo-as como disciplina, para o nosso próprio benefício. Aceitar e enfrentar esse período de testes exige maturidade para que não perder uma chance preciosa de crescimento psicológico e espiritual.

Na China, as ações de graça dos cristãos nas zonas atingidas pelo terremoto estão quebrando corações endurecidos (leia mais). Tradicionalmente a sociedade chinesa não está acostumada com manifestações gratuitas de benevolência, mas, pela primeira vez em Sichuan, muitas pessoas estão experimentando o verdadeiro amor de Jesus.

Na Eritréia, corre a notícia de que as autoridades planejam acusar cristãos, presos há mais de quatro anos sob acusações de serem traidores, e executá-los rapidamente (leia mais). As famílias estão apreensivas. Ore por esses irmãos, que enfrentam tempos de adversidade, para que experimentem a paz que excede todo o entendimento.

Na Nigéria, o seqüestro de adolescentes cristãs com o objetivo de casá-las à força com muçulmanos está se tornando uma prática recorrente. Muitos pais não sabem do paradeiro das filhas. Mas há aqueles a quem o Senhor permitiu recuperá-las e que já voltaram para casa (leia mais).

Toda vez em que estiver numa situação delicada, adversa, difícil, pergunte ao Senhor o que Ele tem para ensinar com a situação. Não racionalize, não reclame e nem julgue. Abra-se para esse exercício de fé, a fim de crescer e experimentar os frutos de paz e justiça.

PARA QUEM BUSCA A PRÓPRIA VONTADE...


... eis aqui algumas boas dicas de quem entende do assunto.



Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

NÃO AMEIS O MUNDO...

“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.”
(I João 2:15-17)

Em que tipo de indivíduo um homem pode se tornar, por conseqüência da obediência a essa palavra? Imaginem alguém cujos valores e prazeres não estejam ligados direta ou indiretamente ao mundo e, pior, mais sutil, às coisas “...que no mundo há”!

Basicamente, aqui estão os algozes que vitimam a humanidade: a carne, os olhos e a altivez de espírito. Destes, outras mazelas ramificam-se, mas esse é o tronco principal. E é onde o machado deve ser posto, afinal.

A estratégia do “certamente não morrereis” do diabo, que foi tão eficaz nos jardins do Éden, ainda repercute por aí.

Lá, Eva (pobrezinha!) foi ludibriada pela astúcia da serpente que, simplesmente, a convenceu. Não precisou sequer possuí-la (e nem podia). Bastou convencê-la.

Satanás sempre preferirá assim: que alguém escolha outro, que não o Senhor, voluntariamente, sem qualquer intimidação. Aliás, é isto o que se configura culpa. Como pode alguém “possuído” ser culpado de alguma coisa?

Mas não mudemos de assunto e vejamos os aspectos da tentação e queda que se deu no Éden. Gênesis 3:6 diz:

1) “E viu a mulher que a árvore era boa para ser comer...”: Aqui fala do apetite da carne, para ser mais amplo. Certamente o fruto daquela árvore era apto para saciar-lhe esse desejo. Mas... isso era lá desculpa? Afinal, eles, homem e mulher, não podiam comer de todas as outras árvores também? Esta é a concupiscência da carne de que dizia João.

2) “... agradável aos olhos...”: O fruto era belo. Não era para menos; tudo o que Deus faz é belo. Mas aqui está outra das grandes tentações humanas. Ser belo ou ter o que é belo, em si ou para si. Desejo, ambição, requinte. Concupiscência dos olhos! O fruto daquela árvore, tal qual a própria, era muito bonito. Mas tanto quanto essa, havia outros muitos frutos belos ali naquele jardim. O pêssego, por exemplo, é belíssimo Mas porque logo aquele maldito fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal? Não há por quês. A questão é que isto, definitivamente, não foi desculpa.

3) “... e árvore agradável para dar entendimento;...”: Opa! Mas aqui há algo diferente! Isso é algo que a banana, a maçã, o pêssego, a uva pareciam não ter. Havia um ingrediente ali naquele fruto, segundo a serpente, que faltaria até mesmo na mais bela, fresquinha e generosa salada de frutas que se podia conseguir em toda a dimensão do jardim. A frase “E sereis como Deus...” (verso 5) para Eva representou o que, em tempos modernos (mas nem tanto), chamamos de status, preeminência, destaque, prestígio, fama... O que é conhecido biblicamente, segundo João, como soberba da vida.

Se essa estratégia deu certo no Éden, ora, qualquer tolo tentaria de novo... e de novo... e de novo... e de novo. Os bebês, por exemplo, sabem que se chorando eles conseguem o que querem, então chorarão sempre. Se, uma vez mexendo com os instintos mais naturais do homem – quais sejam: os apetites da carne, o desejo dos olhos e a soberba da vida – o diabo conseguiu o que tanto queria, daria certo de novo, sendo todos os homens iguais em essência.

E aqui estamos nós! Em meio à extensão permanente do jardim do Éden. Deus continua passando, falando, cuidando, suprindo, nos deixando usufruir todas as Suas benesses mais íntimas. E dentre tantas árvores cujos frutos, disponíveis e à disposição, são bons para se comer e agradável aos olhos, vez por outra, botamos no cesto um – disponível, mas não à disposição – que nos afaga o ego, satisfaz não apenas a carne, mas a alma e engorda o espírito. Depois, não há antiácido que resolva tamanha indigestão.

Não amar o mundo pode ser uma tarefa relativamente simples para os discípulos de Jesus, afinal, Ele dizia que nós não somos deste mundo como também Ele não é (João 17:14,16). Disse também que Deus nos havia tirado do mundo e nos dado para Ele (João 17:9,11; Colossenses 1:13) mas disse que, apesar disso, estamos no mundo e aqui ficaríamos ainda um tempo mais.

Aí é que está!

Que suplício! Enquanto aqui, estamos cercados e envolvidos com os valores caídos do mundo. Lidamos com eles dia-a-dia. Ou usamos, na melhor das hipóteses, algo que é objeto desses valores. A forma de nos vestirmos, como nos entretemos, como nos alimentamos, como escolhemos nossos amigos, cônjuges e, às vezes, para vergonha nossa, até mesmo a quem proclamamos o Evangelho. E somos, freqüentemente, convencidos de que “certamente não morreremos”! Assim, preferimos umas coisas e preterimos outras. O livre arbítrio, do que o homem se orgulha, foi um presente que Deus lhe deu, para que este preferisse escolhê-Lo. Mas o homem pegou este presente e o atirou contra a face do Senhor, preferindo escolher voluntariamente a outro.

Todo o sentimento perverso que impeliu satanás a desejar um Trono acima de Deus, ele espalhou sobre a face da terra, no coração dos homens que, voluntariamente, lhe escolheram e lhe deram o governo.

O mundo é a expressão da vontade do diabo assim como a Igreja é a expressão da vontade de Deus.

Precisamos da graça de Deus que nos basta (II Coríntios 12:9). Algo que basta, enche completamente, não deixa espaços onde caiba o que quer que seja. É suficiente. É pleno. A graça do Senhor é assim. Davi declarou: “Porque a Tua graça é melhor do que a vida para mim...” (Salmo 63:3). É graça para nos vestirmos, mas não sermos altivos, desejando a evidência entre os outros. É graça para comprarmos sem usura ou ostentação. É graça para nos entretermos, mas não romper com os limites da santidade e, mais além (algo que temos muito a aprender), com os limites da santidade do outro, não causando escândalo, respeitando a fraqueza do outro e não exigindo que reaja de forma natural ao que para mim é natural (e eu posso muito bem estar errado! Que eu não me esqueça disso!). É graça para termos mais prazer no jejum que no comer ou beber. É graça para nos reeducarmos “... para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos no presente século de forma sensata, justa e piedosa...” (Tito 2:11,12).

Graças a Deus por Jesus (II Coríntios 2:14)! Nele temos recebido graça (João 1:14-17)! Sua vida em nós glorifica e alegra o coração do Pai, pois Ele é o Filho Amado de Deus (Mateus 3:17)! Louvado seja o Senhor! Nele fomos feitos justiça de Deus (II Coríntios 5:21)!

Paulo escreveu: “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um, muitos serão feitos justos” (Romanos 5:18,19).

Pois é! Mas com Jesus, são outros quinhentos...

Satanás é um grande tolo! Não bastasse ser relampejado dos céus e esborrachar-se na escuridão do inferno abaixo, por ter, simplesmente, intentado um lugar acima de Deus (se é que isso existe), cogitou em seu frio coração abandonado que, uma vez aqui, humano e limitado, Jesus pudesse estar também fragilizado e, talvez, corrompido pelos valores corrompidos dos homens corrompidos. Afinal, quem resistiria a uma oferta daquelas, não é mesmo?

Mal sabia ele, entretanto, que os ecos da sentença no Éden ainda retumbavam na história – “Este lhe esmagará a cabeça...” (Gênesis 3:15) – e que sua execução começava ali.

À luz de Mateus 4:1-11, gostaria de destacar abaixo, não apenas o meio pelo qual Jesus venceu a tentação do deserto – qual seja, a Palavra – mas também os aspectos da Palavra que Jesus fez questão de usar. Vejam que embora mudassem os objetos, os valores permaneciam os mesmos. A tentação no deserto teve os moldes do Éden:

Primeiro, o diabo disse: “Se Tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães...”. Olha ela aqui de novo, a fome! Concupiscência (desejo) da carne. Depois de 40 dias e 40 noites de jejum, nada mais justo do que isso: comida! Não era, afinal, uma boa idéia, comer por ali mesmo?

A isto, Jesus respondeu: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”: Encher-se da Palavra. Em I João 5:4 diz que a vitória que vence o mundo é a nossa fé. Em outro lugar que a fé vem por ouvir e ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10:17). Precisamos, portanto, nos encher de fé através da Palavra. Receber das promessas de Deus em Jesus e assim resistir aos dardos inflamados do maligno, calçando nossos pés com a preparação do Evangelho (A armadura de Deus – Efésios 6).

Depois, o diabo disse: “Se Tu és Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo; porque está escrito: Aos Seus anjos darás ordens a Teu respeito, e tomar-Te-ão nas mãos, para que não tropeces nalguma pedra”: Concupiscência (desejo) dos olhos. É algo mais ou menos parecido com o “ver para crer” que ouvimos tanto por aí.

A isto, Jesus respondeu: “Não tentarás o Senhor Teu Deus”: Confiança irrestrita em Deus. Deus não precisa se mostrar Deus. Ele é e não há nada mais que precise provar para ser assim. Nem a fé que temos ou não, muda qualquer coisa em Sua natureza. Se crermos, Ele é Deus; se não crermos, Ele é Deus! Jesus disse que, a uma geração má e adúltera, nenhum sinal seria dado senão o do profeta Jonas (Mateus 12:39). Ou seja, a misericórdia que Deus usou para com Nínive (e para com o próprio Jonas). Não há mais nada que Deus precise mostrar a nós para ser justo, bom, fiel ou o que for, senão a abundância de Sua infinita misericórdia na cruz através de Jesus.

Por fim, o diabo tentou: “Tudo isto Te darei se, prostrado, me adorares”: Soberba da vida. Uma posição de autoridade, de reconhecimento, exercer domínio, governo, liderança. Há maior status que esse? Em outra época, essa frase soou assim: “E sereis como Deus...” (Gênesis 3:5).

Ao que Jesus respondeu: “Ao Senhor Deus adorarás, e só a Ele darás culto”: Subserviência, submissão completa ao Pai e reconhecimento inteligente e sóbrio à Sua Única Autoridade. Satanás tem memória curta. Esqueceu-se que ele próprio, por vezes, precisou requerer a entrada na presença de Deus, falar com Deus e precisou curvar-se e pedir a Deus liberação para tocar a vida de Jó (Jó 1:11 e 2:5). Esqueceu-se que no fim dos dias, o sopro da boca do Todo-Poderoso lhe extirpará a existência (II Tess. 2:8). E esqueceu-se que estava diante d’Aquele que tem todo o poder, glória e honra, é Senhor dos senhores, Rei dos reis... O Santo de Deus (Mc.1:24)! Deus governa sobre tudo e todos, mas deseja, e sempre desejou, repartir isso com o melhor da Sua criação: o homem. Foi assim desde Adão, tornou-se novamente possível através de Jesus e se efetivará a partir do Grande Dia da Glória de Deus (Gn.1:28; Rm.5:17; Ap.5:9-10). Aleluia!

Vencemos a concupiscência da carne nos enchendo da Palavra de Deus, que formará valores nobres e altos em nós.

Vencemos a concupiscência dos olhos confiando em Deus, em Sua boa, agradável e perfeita vontade e sabendo que não só o que Ele tem dado é o melhor, mas que sempre nos dará o melhor também, mesmo que não o pareça para nós.

E vencemos a soberba da vida reconhecendo a soberania de Deus e que somos seus servos, seus escravos, feitos para a Sua glória e que vivemos para agradá-Lo. Com isto estejamos contentes.

Ajustemos nosso comportamento diante das coisas que no mundo há, e a seus valores reais e intrínsecos.

Que nos desvencilhemos das ofertas que satanás nos faz por segundos de prazer.

Coloquemos guardas à porta dos nossos olhos, da nossa boca, e do nosso coração para que nos pareçamos um pouquinho mais com Jesus (e ainda assim saber que falta tanto!).

Que nos estimulemos a sermos d’Ele, exclusivamente d’Ele, zelosos de boas obras (Tito 2:14).

Que sejamos santos, vivamos intensamente cada dia para o Senhor, sejamos prudentes como as serpentes e simples como as pombas (Mateus 10:16).

Que sejamos bons administradores e despenseiros fiéis da graça de Deus (I Pedro 4:10).

Que usufruamos Suas ricas bênçãos, e que, seja o comer, seja o beber, façamos tudo para glória de Deus (I Coríntios 10:31), cautelosos de não sermos, em momento algum, tocados por esse mundo vil e perverso.

Se ficarmos pobres, já somos ricos em Cristo (Tiago 2:5).

Se ficarmos fracos, já somos fortes em Cristo (II Coríntios 12:10).

Se formos tidos por loucos, nossa loucura é mais sábia que a sabedoria dos outros (I Coríntios 1:25).

E se nos abandonarem, ainda que a mãe se esqueça do filho que carregou no ventre, o Senhor jamais se esquecerá de nós (Isaías 49:15).


Em que nos tornaríamos? Em pessoas mais parecidas com Jesus certamente.