10 de novembro de 2009

A ENQUETE DO SENADO FEDERAL: MANIPULAÇÃO OU CONVENIÊNCIA?



No dia 06 de novembro último, através do Genizah (sempre ele!), tomei conhecimento de uma enquete veiculada no site do Senado Federal para saber qual a opinião das pessoas acerca da aprovação da PLC 122/2006.

Pra quem não sabe, e em linhas gerais, o que pretende a PLC 122/2006 é dar aos homossexuais direitos que nenhum outro cidadão civil tem, como, por exemplo, o de não ser criticado por suas escolhas. O embuste está em dizer à sociedade que a intenção é garantir aos homossexuais um direito constitucional: o de expressar-se livremente. Mas o resultado é exatamente o oposto, pois ninguém mais terá direito algum de expressar-se contrariamente a eles.

Para garantir o de um, retiram-se os de todos.

O que temos aqui é o predomínio de uma minoria sobre a imensa maioria.


Interessante notar que, a guisa de democráticos, o que o Senado Federal e suas hostes ativistas gays armaram foi um tremendo simulacro de manipulação de informações e parcialidade, que não contava, entretanto, com a decência moral da opinião pública. Ou então, conhecendo-a, ignoraram-na (o que, também, é bem provável).

A pergunta da enquete, naquela ocasião, era expressamente esta (vide figura abaixo): “Você é favorável à aprovação do projeto de lei (PLC 122/2006) que torna crime o preconceito contra homossexuais?” (grifo meu).



Notem a sutileza.

Sorrateiramente, a pergunta induz o leitor ao voto favorável, chamando, desde ali, de preconceito qualquer opinião contrária ao homossexualismo.

Ou seja, na cabecinha mal intencionada deles, já há preconceito (e quem não for favorável à sua criminalização também demonstrará tê-lo); a questão é se deve ser mesmo crime ou não.

Mas, mesmo assim, eles ainda não revelam tudo. Veja o que disse o Júlio Severo a respeito:


“A enquete não explica para os internautas que os militantes gays vêem como ‘preconceito’ toda opinião médica, filosófica, moral ou religiosa contra o homossexualismo. A enquete também não revela para os votantes que toda manifestação contra o homossexualismo é considerada crime pelo PLC 122. Pregações contra o homossexualismo caem nessa categoria, e mesmo sem nenhuma lei semelhante ao PLC 122, pastores e padres já estão sendo ameaçados no Brasil (...)”


Independente disso, parecia haver muita gente ainda disposta a jogar água no chopp das intenções espúrias do governo.

Até o momento de minha votação, 62% das opiniões eram contrárias à aprovação do projeto, contra apenas 38% de votos favoráveis.

Mas, inexplicavelmente depois, a enquete “sumiu” (vejam só!) do ar.

Que coisa, não?

E muito mais inexplicável ainda foi, logo depois, o Senado divulgar, no mesmo site, uma pesquisa, vinda sei lá de onde, dando conta de que 70% dos brasileiros eram favoráveis à criminalização do preconceito contra homossexuais, quando sua “democrática pesquisa” indicava exatamente o contrário (leia
aqui).

De onde eles tiraram isto? Alguém aí foi consultado? Eu não fui.

Aliás, que divulgação foi dada a isto?

Bom, mas eis que ontem, após inúmeros questionamentos por parte da população interessada, a enquete voltou ao ar...

Para sumir novamente, logo depois (clique
aqui), como se sobrevoasse, desapercebidamente, o temível Triângulo das Bermudas.

Mistério...

Quase.

Hoje, ao ver as notícias, leio aquilo que poderia ser a luz no fim do túnel para as nossas “desinformadas” suspeitas.

O site Portal IMPRENSA divulgou a seguinte notícia:
“Hackers atacam enquete do Senado sobre lei contra discriminação de gays".

Será?

A informação é de que um
bug provocado pelo ataque de hackers (provavelmente crentes, né?! Afinal que interesses teria essa gente?) causou a falha nos servidores do Senado Federal, comprometendo o resultado da enquete, e, por isto, eles a teriam tirado do ar.

Talvez seja este o nome que eles dão (hackers) àqueles que prezam pela ordem e pela ética no convívio social.

A pergunta que não quer calar é: se o resultado fosse um rotundo “SIM”, contra um esquálido “NÃO”, eles tirariam do ar a enquete e atribuiriam tais números a um ataque de hackers?

Nunca se saberá, ao certo.

Mas a iniciativa do Senado de esclarecer o fato à população, além do esforço em equacionar um problema que deve ser mesmo muito inconveniente e constrangedor para eles, tadinhos, revela também outros cuidados.

Veja na figura abaixo, conferindo com a notícia do Portal IMPRENSA, o enunciado da enquete que o Senado Federal afirma ter veiculado em seu site.



Agora compare com a primeira imagem lá em cima, retirada da real enquete feita.

Confira ainda abaixo, diretamente da página do Senado, no lado direito, quando a enquete ainda estava no ar.



Você pode ler ali claramente: “Você é favorável à aprovação do projeto de lei (PLC 122/2006) que pune a discriminação contra homossexuais?” (grifo meu)

Por que a alteração, ainda que pequena, do texto? Ele, em momento nenhum, fez parte da enquete.

Não queria o Senado assumir uma mea culpa diante da imprensa e da opinião pública, de modo a amenizar sua dissimulação?

Nunca se saberá, ao certo.

Mas é, no mínimo, suspeita essa confusão toda ao redor de uma enquete sobre a qual não foi feita nenhuma divulgação realmente importante, e — o que é pior — repleto de interesses adversos de setores diversos da sociedade, e pouco dispostos a ceder espaço uns aos outros.

Num ambiente desses, não é exatamente inconcebível que um interesse maior queira se valer de suas influências políticas para sobrepor-se àquele inferior, subjugando-o ao seu totalitarismo intransigente.

Ainda mais se tudo isto parecer um acidente.

Tal como uma boa e velha organização mafiosa gostaria de fazer.


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9 de novembro de 2009

O MEU PASTOR É DEUS*

*Por Jorge Rehder



O meu Pastor é Deus, nada me faltará
Tudo o que eu preciso Ele proverá
O meu Pastor é Deus, me protegerá
Em verdes campos, junto às águas
Me fará descansar

Restaura minha alma
Guia os meus passos
Pelos Seus caminhos
Por Seu grande amor

Não temerei se no vale escuro eu andar
Protegido serei, junto a mim Ele estará
O Seu amor e o Seu bem me valerão
Pra sempre em meu viver
Até aquele dia em que habitarei
Para todo o sempre com o meu Pastor

Prepara-me uma mesa
Na presença de inimigos
Meu cálice transborda
Tenho consolo e unção

Não temerei se no vale escuro eu andar
Protegido serei, junto a mim Ele estará
O Seu amor e o Seu bem me valerão
Pra sempre em meu viver
Até aquele dia em que habitarei
Para todo o sempre com o meu Pastor

O meu Deus

O meu Pastor é Deus

Nota do EdV:

Jorge Rehder se foi.

Vencido pelo câncer, tombou fatalmente na madrugada de ontem, dia 08 de novembro.

Mas aqui somente.

Seu cheiro de poesia, musicalidade e fé ainda perfuma o ar de muitas manhãs...

E assim será...

Até aquele dia em que as manhãs não têm mais fim...

E que Pedro chamou de dia eterno (II Pedro 3:18)

"Até aí, Jorge! Até aí!"

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6 de novembro de 2009

RESOLVIDO

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UM APÓLOGO*

*Por Machado de Assis


"Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:

— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?

— Deixe-me, senhora.

— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.

— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.

— Mas você é orgulhosa.

— Decerto que sou.

— Mas por quê?

— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?

— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?

— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...

— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...

— Também os batedores vão adiante do imperador.

— Você é imperador?

— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...

Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:

— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...

A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.

Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:

— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.

Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:

— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.

Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:

— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!"


Texto extraído do livro "Para Gostar de Ler - Volume 9 - Contos", Editora Ática - São Paulo, 1984, pág. 59

(Fonte: Releituras)

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4 de novembro de 2009

PRONOMES HOMOSSEXUAIS


Algo me ocorreu hoje.

Precisamos urgentemente de pronomes homossexuais.

Sim, porque como fazemos para falar de um homem ou mulher que diz ser homossexual?

“Ora”, dirão vocês, “se for homem é ‘o’, se for mulher é ‘a’”.

Em tese, eu diria.

Porque “o” é pronome masculino.

Mas não é masculino quem é homossexual. É feminino. Não?

E “a” é pronome feminino.

Mas não é feminino quem é homossexual, não é mesmo? É masculino.

Não é isto aquela história de “corpos errados” e tal...?

Então.

É homem, mas é feminino?

É mulher, mas é masculino?

Aliás, um homem que diz ser homossexual é feminino mesmo, ou feminina?

E a mulher? É masculino ou masculina?

O, a, os, as, um, uns, uma, umas...?

Ihhhh...

Precisamos urgentemente de pronomes homossexuais!

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PEÇA COM JESUS TRANSEXUAL PROVOCA PROTESTOS NA ESCÓCIA


Cerca de 300 manifestantes realizaram um protesto à luz de velas do lado de fora de um teatro em Glasgow, na Escócia, no dia da estreia de uma peça que retrata Jesus como um transexual.

O protesto foi realizado na terça-feira à noite em frente ao Tron Theatre, onde a peça "Jesus Queen of Heaven" ("Jesus, a Rainha do Paraíso", em tradução livre) está em cartaz, como parte do festival de artes Glasgay!, que celebra a cultura gay, bissexual e transexual da Escócia.

Os organizadores do festival afirmaram que não têm a intenção de incitar reações ou ofender ninguém.

A peça "Jesus, Queen of Heaven", que fica em cartaz até sábado, foi escrita e é encenada pelo autor transexual Jo Clifford.

Os manifestantes cantaram hinos religiosos e levantaram cartazes. Um deles dizia: "Jesus, Rei dos Reis, Não Rainha do Paraíso". Outro dizia: "Deus: Meu Filho Não É Um Pervertido".

Provocação

Os organizadores do festival classificaram os cartazes de "provocativos" e disseram que eles podem ser vistos como incitação à homofobia.

O produtor do Glasgay! Steven Thomson disse que "'Jesus, Queen of Heaven' é um trabalho de ficção literária explorando a viagem pessoal de fé do artista como um transgênero".

"O Glasgay! apoia o direito de liberdade de expressão das artes e oferece ao público uma visão diversa da vida GLBT (gays, lésbicas, transexuais e bissexuais). Este trabalho não tem a intenção de incitar ou ofender ninguém de nenhuma crença, mas respeitamos o direito dos outros de discordar desta opinião", disse.

"Nós vamos dar as boas vindas a membros do público genuinamente interessados que queiram entender a intenção artística por trás deste trabalho", acrescentou.

O Glasgay! é descrito como "a comemoração anual da cultura gay da escócia" e é financiado pelo Conselho das Artes da Escócia, Event Scotland, pelo Bureau de Marketing da cidade de Glasgow e pelo Conselho da Cidade de Glasgow.



Nota do EdV:

Aí, ó!

Tô falando que essa galera não quer saber de respeito às suas escolhas sexuais coisíssima nenhuma?

O que eles (ou, sei lá!, elas) querem é chocar.

Podiam ficar na deles (ou, sei lá!, delas) como todo mundo faz.

Mas não.

Querem é bagunçar o coreto, rodar a baiana, aprontar aquele batebofo no caterefofo... Só pra aparecer.

Na boa: dá pra levar a sério gente assim?

É difícil, mas eu vou tentar.

Eles só fazem isto com os “símbolos cristãos” porque confiam, de fato, que somos mesmo cristãos.

E têm sorte de sermos realmente.

Agora...

DU-VI-DE-O-DÓ que eles façam isto com Alá!

E aí, bicharada? Que tal uma próxima peça com o nome de "Maomé (ou Alá), rainha do paraíso"? Hã?

Acho que vocês não são homens o bastante pra isto, né?

Ou, sei lá!, mulheres.

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3 de novembro de 2009

30


"Ninguém tem certeza da suficiência do seu arrependimento e pesar verdadeiros;
muito menos certeza pode ter de haver alcançado pleno perdão dos seus pecados"
(Martinho Lutero)

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30 de outubro de 2009

JESUS CRISTO, JUDAS, LULA E EU


Tive conhecimento hoje, através do Mídia Sem Máscara, no artigo “Jesus Cristo, Judas e Lula” assinado por Júlio Severo, da entrevista concedida pelo presidente Lula à Folha de São Paulo, e publicada na Folha Online em 22/10/2009.

O ponto principal abordado por Júlio foi a declaração do presidente de que:
“Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão”.

A resposta foi dada quando o presidente foi questionado sobre suas relações com figuras políticas de imagens reconhecidamente arranhadas para a população brasileira, como Renan Calheiros (PMDB-AL), José Sarney (PMDB-AP) e o ex-presidente Fernando Collor de Melo (PTB-AL).

A comparação foi, no mínimo, infeliz realmente.

Pois de onde quer que se parta dela, a conclusão será sempre a mais ignóbil possível.


A oposição, por exemplo, aproveitou a polêmica frase para atribuir a ela um caráter justificatório, haja vista todos os escândalos já ocorridos até aqui sobre a gestão do petista.

Já Júlio Severo sugere que a visão destorcida que Lula tem de Jesus (e Judas) se deve à imagem (e à mensagem) transmitida a ele pelas suspeitas lideranças cristãs que o cercam, no que, obviamente, ele tem absoluta razão.

Meu ponto de vista converge e diverge um pouco das duas opiniões acima, e, mesmo assumidamente me considerando o menos indicado entre todos para falar com propriedade sobre esses temas políticos aqui ou em qualquer lugar, acho que tenho relativa razão.

Não creio que Lula quisesse, voluntariamente, justificar os atos escusos que se embrenharam sob seu nariz, e dos quais ele reiteradas vezes afirmou “não saber”, ainda que, de certa maneira, ele o tenha feito.

Também não acho que o presidente, religioso como ele imagina ser, tenha pretendido que se fizesse uma nova leitura acerca da personalidade comportamental de Jesus, dando a ela uma interpretação mais politizada de seus ensinos, contextualizados para uma nova ordem mundial — e, ingênuo que é, nisto tivesse errado.

Não.

Em minha modestíssima opinião, o que o presidente chamou de “Jesus” e de “Judas” simplesmente têm outros nomes, e nada mais são que estereótipos.

Jesus e Judas, na fala de Lula, são antípodas. Um representa o bem; outro o mal.

Não é que ele se esquece de que Jesus e Judas, aqueles mesmos, os reais, tenham andado juntos por três anos (o que não apenas implica em acordo ou coalizão, como gostam de dizer os políticos, mas em cumplicidade, compromisso e, sobretudo, amor, numa linguagem um pouco mais cristã).

A questão é que Lula simplesmente ignora isto. Ele não sabe.

A visão do presidente, aliás, é a mesma da maioria.

Jesus e Judas são figuras absolutamente antagônicas.

Desse modo, não é exagero algum supor que, ao dizer isto, o que Lula simplesmente fez foi uma confissão: a de que aqui, no Brasil, a união do santo com o profano não é impossível como a natureza (espiritual ou física) dos fatos insistem em mostrar.

Nem meramente opcional.

É obrigatória.

“Esse é o Brasil”, diz Lula.

O que podemos esperar então daqui pra frente?

Mais do que Jesus ou Judas, o presidente está falando é de mim... De você... De nós. Como se nos desafiasse a mudar (ou tentar mudar) a ordem natural (e diabólica, por este prisma) das coisas. Como se dissesse: “Aqui, é assim que as coisas são. O certo tem que andar de acordo com o errado”.

É, pode ser.

Mas, preciso dizer-lhe, sr. Presidente, que ainda que eu esteja sozinho (embora saiba que não estou), eu vou seguir resistindo.

Porque, no Reino de Deus, sr. Presidente, é assim que as coisas são.

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28 de outubro de 2009

SOBRE O DÍZIMO E A IGREJA - Parte 1


A palavra “igreja” hoje é sinônimo de “dízimo” para os incautos (e para alguns bem sabidinhos também).

E esse é um dos assuntos mais polêmicos e certamente mais inquietantes no universo das doutrinas cristãs, que achincalha a vida e a moral de muitos homens e mulheres sérios de Deus.

Eu ouso até dizer que, se os cristãos comprometidos pudessem preterir de algo na doutrina cristã, o dízimo seria o mais votado.

Menos até pelo apego pessoal ao dinheiro (cristãos comprometidos não se importam de pôr a mão no bolso para cooperarem com o Reino de Deus). Mais mesmo é pela vergonha de contribuírem puramente e em alegre obediência à sua fé, e serem tachados de financiadores da locupletação desvairada de alguns “ministros do Evangelho”: verdadeiros abutres em nome de Deus.

E, convenhamos... A história recente da Igreja dá motivos de sobra para terem razão nisto.

Por outro lado, a importância do tema é tanta para a Igreja que torna imprescindível sua prática, embora tal prática não seja bem compreendida ainda da maioria de nós.

É um erro pensar, por exemplo, que o dizimar seja um mero princípio cristão elementar, e assaz elementar, que transforma sua não observância num daqueles vexames históricos para o crente, sem qualquer precedente bíblico.

Se o dízimo é dado com o intuito de “livrar a própria cara” ou para “fazer uma média” diante de Deus e dos homens, de pouco ou nada ele servirá ao ofertante, mesmo que este tenha se despendido de uma vultosa quantia.

Pior ainda é pensar que o dar o dízimo seja uma espécie de pagamento que se faz a Deus, ou ainda, que seja o equivalente divino das nossas aplicações financeiras, quando o dinheiro depositado vai rendendo, rendendo, e depois volta pra gente no final, com juros e correções monetárias.

Jesus pouco falou especificamente sobre o dízimo (ou, pelo menos, pouco se tem registrado nos Evangelhos de tudo o que Ele falou), assim, toda a base — e nada mais que isto — para a aplicação prática do dízimo deve ser retirada daquele tempo bíblico que chamamos de Velha Aliança.

E de cara já desmistificamos uma coisa.


Engana-se quem pensa que o dízimo é uma ordenança divina, e que requer de nós tão somente uma obediência tácita.

A Bíblia mostra que a prática dizimista precede à lei.

A primeira referência ao dízimo, na forma como o conhecemos, remonta a, pelo menos, 600 anos antes da lei, e aconteceu com Abraão, quando este ainda era Abrão.


“E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos!
E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo”.
(Gênesis 14:20)

Antes de tudo, o dízimo parecia ser um princípio aplicado por homens em cuja vida habitava tanto o temor a Deus, quanto um profundo desejo de gratidão e de “retribuição” a Ele. No episódio em questão, Melquisedeque abençoou a Abrão e, numa atitude de gratidão, recebeu deste o dízimo de tudo.

Depreende-se daí que quem dá o dízimo não o faz para ser abençoado, mas sim porque já se reconhece abençoado. Abrão não deu o dízimo para ser abençoado por Melquisedeque (numa instância menor) ou por Deus (numa instância maior). Ele o deu porque já tinha sido abençoado por eles.

Pro inferno, portanto, com essa tal de Teologia da Prosperidade!

Mais tarde só (600 anos depois, como vimos) é que a prática foi, por assim dizer, “oficializada” na forma de lei.

“Também todos os dízimos da terra, quer dos cereais, quer do fruto das árvores, pertencem ao Senhor; santos são ao Senhor. (...) São esses os mandamentos que o Senhor ordenou a Moisés, para os filhos de Israel, no monte Sinai”.
(Levítico 27:30-34)

A palavra “santo” vem do latim sanctus, e significa “separado”. É o mesmo radical, por exemplo, de secta, palavra também em latim (oriunda de sequi, que significa “seguir”), e de onde vêm as palavras “seita” e “sectarismo”, ou “separação”.

(ser membro de uma “seita”, em princípio, não parece ser algo necessariamente tão ruim assim, como sempre fazemos sugerir, né, gente?)

Bom, como se vê, os dízimos eram separados ao Senhor, e fora requerido do Seu povo, a quem Ele mesmo escolheu, a saber, a nação de Israel.

Dízimo (do latim decimu) = A décima parte.


O que se fazia com os dízimos?

Não havia dinheiro nos tempos da Velha Aliança, muito menos um sistema capitalista como o de hoje. Não havia sequer moeda corrente e os negócios todos eram feitos sob PERMUTA ou MUCAMBO, que nada mais é do que uma troca de benefícios. Assim, o que tinha valor naquela época eram objetos, alimentos, terras, etc. O dízimo deles era dado na forma de parte de uma colheita, por exemplo, ou uma parte do gado, de especiarias, e o ouro, a prata e o bronze que havia era destinado à confecção de objetos e utensílios que seriam trocados mais tarde.

Por uma convenção divina, Deus conferiu ao levitas o direito de usufruto dos dízimos ofertados pelo povo de Israel (Nm.18:24). Entretanto, o princípio se manteria ainda assim, e os levitas, igualmente, deveriam retirar de tudo o que recebessem aquilo que era chamado de “dízimo dos dízimos” (Nm.18:26).

Perguntinha: Terá sido apenas coincidência o fato de que os levitas eram os únicos, entre todos de Israel, que não receberam porção alguma como herança na divisão das terras de Canaã (Js.13:14-33)?

Creio que não.

Doutra sorte, porém, Deus disse que seria, Ele próprio, a porção deles (Dt.10:9; Nm.18:20). Dessa maneira, Ele os fez, ao mesmo tempo, os mais pobres e os mais ricos entre os homens.

Há mais uma aplicação importante dada aos dízimos e às ofertas levantados pelo povo, segundo os moldes do Antigo Testamento: o suprimento aos de fora, aos órfãos e às viúvas, que deveria ser feito a cada período de três anos (Dt.14:28, 29).

Essas considerações são absolutamente necessárias, e só depois delas é que podemos então nos lembrar daquela que é, sem dúvida, a referência mais conhecida da maioria dos crentes espalhados Brasil afora, sobre o dízimo: a de Malaquias (mas, ao invés disto, é dela que nos lembramos primeiro).

Naquela ocasião, os sacerdotes não estavam sendo fiéis a Deus (em vários aspectos, inclusive) e o povo, sabendo disto, começou a parar de dar o dízimo (como muitos de nós fazemos também, né não?).

O que Deus fez?

Corrigiu severamente os sacerdotes por sua negligência... Mas também corrigiu severamente o povo por sua displicência (Ml. 2-3), chamando-o, inclusive, de “ladrão”.

Em resumo, o que aprendemos com a prática da Antiga Aliança é que:

1º) A primeira motivação para o dízimo é a gratidão e o reconhecimento, depois vindo a obediência ao princípio estabelecido. E em nenhum momento deve haver desejo de recompensa, ou investimento, como dizem alguns;

2º) A ordem dos fatos indica que quem se reconhece abençoado por Deus é que dá, e não o contrário (dá par ser abençoado). Assim, não dar pode também significar que a pessoa não se sente abençoada por Deus;

3º) O dízimo era requerido do povo de Israel, ou seja, daqueles com quem Deus mantinha um relacionamento, o que sugere que dizimar implica em comunhão e compromissos mútuos;

4º) Um sacerdote ou ministro (aquele que se beneficia do dízimo) não tem valores nesta vida. O Senhor é sua porção. Ele vive do que Deus lhe dá, e, sobretudo, da fé;

5º) Ninguém está isento de dar. Até os que recebem do dízimo, devem dar a parte correspondente dele;

6º) O dízimo deve prestar, entre outras coisas, ao sustento de necessitados no meio da congregação, de modo que estes não existam;

7º) Não há desculpa para não dar. A infidelidade, afinal, será julgada de todos. Tanto daqueles que não dão quanto daqueles que administram.

Tudo isto, junto, é o modelo do ensino testamentário acerca do dízimo, e nele é bem possível que identifiquemos algumas incongruências com nossa prática capitalista hoje.

Entretanto, vocês lembram de eu ter dito que Jesus pouco falou especificamente sobre o dízimo?

Pois bem. Creio haver motivos para isto, e que eles são, de fato, o que realmente importa nisso tudo.

Mas sobre eles falarei na próxima semana, na segunda e última parte desse assunto.

Até lá, se se interessarem.

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27 de outubro de 2009

E SE...


... a partir de agora, os gays e as lésbicas se casassem entre si?

Assim eles não sofreriam nenhum tipo de preconceito por parte da sociedade.

E, claro, teriam seus interesses pessoais (ideológicos e sexuais) preservados.

Afinal, as lésbicas teriam as mulheres que cada gay diz ser...

E os gays teriam os homens que dizem haver no interior de cada lésbica.

Que tal?

Ou vai dizer que isto é homofobia também, hã?

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